A cúpula nacional do Republicanos tratou com desconfiança e como um desafio à direção a declaração do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) de que quer disputar o governo de Minas Gerais nas eleições deste ano.
O anúncio, feito em coletiva na noite de quarta-feira (29), veio depois de o próprio partido divulgar uma nota na qual informava que o senador não seria mais o candidato ao governo mineiro. A legenda decidiu por ele após meses de indefinição.
Para interlocutores da legenda ouvidos pela reportagem, no estado e no plano nacional, ao afirmar que é candidato e que só recuará se a direção assim quiser, o senador transferiu a responsabilidade à cúpula e confrontou, mais uma vez, a autoridade do presidente nacional do partido, Marcos Pereira.
A avaliação ainda é a de que não há como confiar no parlamentar. Interlocutores ponderam que com o senador, “tudo é possível”, como deixar a sigla em caso de vitória ou mudar de posição ao longo da campanha em função da opinião pública, cenário que, como mostrou O Fator, já estava no radar da direção.
A demora no anúncio foi atribuída pelo senador, durante coletiva de imprensa em Divinópolis (Centro-Oeste), ao luto pela morte do irmão. Membros da legenda, porém, relembram que a indefinição é anterior e mais ampla do que esse episódio. Nas coneversas internas sobre o que seria dito por Cleitinho, essa hipótese já estava listada.
Dia de definições
Esta quinta-feira (30) será de reuniões internas. Cleitinho afirmou que buscará um encontro com Marcos Pereira, o que não conseguiu na quarta-feira. Mas, internamente, prevalece a desconfiança. A cúpula do Republicanos sustenta o entendimento de que o histórico do senador inviabiliza a confiança para fechar a chapa.
A articulação precisa envolver ainda o PL e a federação formada por União Brasil e PP, interessados em uma candidatura única da direita em Minas. Sem o senador na disputa, o grupo tratava da possibilidade de uma chapa encabeçada pelo deputado federal e ex-secretário de governo de Minas, Marcelo Aro (PP).