Aliados do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) afirmam que o presidente nacional do partido, o deputado federal Marcos Pereira (SP), teria atuado para inviabilizar uma reunião entre os dois nesta quarta-feira (29), ao sugerir horários considerados incompatíveis com a agenda e o deslocamento do parlamentar mineiro.
Segundo esses interlocutores, a avaliação de Cleitinho é de que houve uma tentativa de evitar um acordo no momento em que ele se movimenta para confirmar sua pré-candidatura ao governo de Minas.
O Fator apurou que Cleitinho manifestou a possibilidade de se deslocar de avião de Divinópolis (Centro-Oeste), onde está, até o estado de São Paulo. Pereira cumpre uma série de agendas em cidades do interior paulista.
Após esse “silêncio” do dirigente, o senador mineiro marcou uma entrevista coletiva para a noite desta quinta-feira, em uma praça de Divinópolis. Ao anunciar a agenda, ele falou que aproveitará a oportunidade para “esclarecer a verdade”.
De acordo com o entorno de Cleitinho, ele pretende utilizar a coletiva para reafirmar que deseja disputar o governo mineiro. A expectativa é que o parlamentar diga que chegou a comunicar essa intenção ao Republicanos nos últimos dias.
Aliados do senador mineiro afirmam ainda que um vídeo publicado por ele nas redes sociais na terça-feira (28) foi interpretado como um sinal público dessa decisão. A avaliação é de que o conteúdo funcionou, na prática, como um anúncio da pré-candidatura, embora sem uma formalização oficial.
Relação conturbada
Essa leitura, contudo, não é compartilhada pela cúpula do partido. Marcos Pereira e outros dirigentes afirmam, nos bastidores, que, além da dificuldade de contato com o senador, Cleitinho desgastou as imagens das direções estadual e nacional do Republicanos ao adiar a definição sobre a candidatura por diversas vezes sem comunicar a sigla.
A relação entre o senador e a direção nacional do partido já vinha deteriorada, como mostrou a reportagem. Cleitinho fez críticas públicas a Pereira, e a indefinição sobre a disputa pelo governo de Minas aumentou a insatisfação de dirigentes e aliados, principalmente pelo impacto sobre as articulações para as candidaturas a deputado federal e estadual.
A situação piorou após a morte do irmão, em 18 de julho. A partir daí, o senador reduziu o contato com lideranças políticas, deixou de atender ligações e responder mensagens. Ao mesmo tempo, continuou com publicações nas redes sociais interpretadas por aliados como indicativos de que poderia disputar o governo do estado.
Somou-se ainda a desconfiança, entre dirigentes da sigla, de que, mesmo em uma eventual vitória de Cleitinho ao governo do Estado, o Republicanos poderia ficar em segundo plano nas decisões políticas do senador. “Ele também cansou de esperar. Já estava ficando feio nacionalmente”, resumiu uma fonte.
Nota de não candidatura
Mais cedo, o Republicanos divulgou nota para afirmar que não lançaria mais Cleitinho ao governo. No texto, o partido aponta demora do senador em bater o martelo sobre a participação na corrida ao Palácio Tiradentes.
Segundo o conteúdo, o partido sempre esteve pronto para apoiar um eventual projeto encabeçado pelo senador, ao passo que candidatura “nunca foi assumida por quem deveria liderá-la”.
Ao publicar o conteúdo no Instagram, o Republicanos classificou o material como um texto de “não confirmação da candidatura do senador Cleitinho Azevedo ao governo de Minas Gerais”.
Novo cenário
Pelo que O Fator tem apurado, o Republicanos passaria a apoiar uma candidatura do ex-secretário de Estado Marcelo Aro (PP). A decisão foi tomada em meio à pressão de partidos aliados por uma definição, diante da proximidade do prazo das convenções partidárias, que termina em 5 de agosto.
Nos bastidores, lideranças do PL e da federação formada por PP e União vinham cobrando uma posição do senador após meses de indefinição. Esse cenário também dificultava a montagem da chapa majoritária e a organização das candidaturas proporcionais.
Com a nova configuração, as negociações passaram a girar em torno da composição da chapa de Marcelo Aro. O Republicanos almeja indicar o candidato a vice-governador e uma das vagas ao Senado, enquanto a outra tende a ficar com o deputado federal Domingos Sávio (PL).
O PL, no entanto, ainda discute a possibilidade de ocupar a vice — a hipótese de Domingos ser o único candidato da coalizão à Casa Alta do Congresso também é aventada. Além disso, os liberais têm interesse em fechar logo o acordo para garantir, em Minas, palanque para o candidato do partido à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (RJ).