Fundo de equalização do Propag já rendeu quase R$ 53 milhões a Minas

Estado prioriza alocação da verba, atrelada a acordo para a renegociação da dívida com a União, no setor de transportes
A Cidade Administrativa
Governo mineiro ingressou no Propag em dezembro. Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG

O governo de Minas Gerais recebeu, de dezembro do ano passado para cá, R$ 52,9 milhões oriundos do Fundo de Equalização Federativa (FEF), poupança federal criada a reboque do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). O valor consta em relatório da Secretaria de Estado de Fazenda (SEF) acessado por O Fator.

Embora o FEF tenha sido instituído para compensar estados com pouca ou nenhuma dívida junto à União, a lei diz que as unidades federativas participantes do Propag também participam do rateio da poupança, alimentada por repasses periódicos dos devedores.

O primeiro envio de recursos do FEF a Minas aconteceu no último mês de 2025, quando foram encaminhados R$ 18,2 milhões. A parcela restante data de fevereiro deste ano e corresponde a R$ 34,6 milhões. A maior parte do montante foi direcionada a ações ligadas ao setor de transportes (Leia mais ainda neste texto).

Pelas regras do Propag, o dinheiro referente à divisão do fundo federal precisa ser investido pelos governos estaduais nas políticas de infraestrutura que servem de contrapartida ao refinanciamento da dívida. No caso mineiro, o saldo negativo estava em cerca de R$ 180 bilhões quando da assinatura do contrato de renegociação.

Aposta em mobilidade e infraestrutura viária

Dos R$ 52,9 milhões associados ao FEF, Minas já empenhou R$ 27,4 milhões. As cifras com destinação definida foram totalmente encaminhadas aos transportes e, de acordo com a Fazenda, R$ 18,1 milhões estão de fato executados.

Ao detalhar as possibilidades de investimento permitidas pela lei do Propag, o governo mineiro diz, no relatório, que, nos transportes, estão entre as hipóteses de aplicação ações de conservação, recuperação e restauração de estradas, iniciativas de mobilidade urbana, e intervenções destinadas a conferir segurança viária.

“Tais iniciativas contribuem para a melhoria das condições de trafegabilidade e segurança viária, a redução dos custos logísticos, o aumento da conectividade entre municípios e regiões, o fortalecimento da mobilidade urbana e o apoio ao desenvolvimento econômico e social do Estado”, lê-se em trecho do documento, assinado pela secretária Luciana Mundim e pelo subsecretário Felipe Afonso Costa.

O desenho do Fundo de Equalização Federativa

A distribuição dos recursos atrelados ao FEF leva em conta dois critérios. Um deles determina que 20% das receitas da poupança precisam ser divididas a partir do inverso da relação entre a dívida consolidada e a Receita Corrente Líquida (RCL) das unidades federativas. Os outros 80% são fracionados conforme os coeficientes do Fundo de Participação dos Estados (FPE).

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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