O presidente nacional do Republicanos, o deputado federal Marcos Pereira (SP), deu um recado duro ao senador Cleitinho Azevedo (MG), nesta terça-feira (4), durante a convenção nacional da legenda, e descartou qualquer possibilidade de a sigla rever a decisão sobre a candidatura ao governo de Minas Gerais.
Durante o evento em Brasília, Pereira afirmou que “tudo tem o seu tempo” e que uma legenda não pode ficar “indo e voltando” em decisões políticas. O dirigente respondeu ao apelo feito minutos antes por Cleitinho, que havia pedido, diante da cúpula partidária, uma nova oportunidade para disputar o Palácio Tiradentes.
A manifestação surpreendeu dirigentes e outras lideranças do Republicanos que estavam na mesa principal, entre elas o próprio Marcos Pereira e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (PB). O senador pediu a palavra durante o encontro sem antecipar que faria um novo apelo para retomar a disputa pelo governo de Minas.
Ao responder ao senador, o dirigente afirmou que compreendia o momento pessoal enfrentado por Cleitinho, mas disse que a decisão do Republicanos estava tomada e não seria revista. Em um discurso de 30 minutos, ele relembrou as oportunidades dadas ao mineiro, durante meses, para definir se disputaria ou não o governo de Minas.
Segundo Pereira, o senador manifestou dúvidas sucessivas ao longo das negociações. Acrescentou ainda que o partido precisou tomar uma decisão para dar continuidade às articulações eleitorais em Minas. Ao encerrar a resposta, reforçou que a definição da legenda é definitiva.
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O novo recuo de Cleitinho
Pouco antes da “bronca pública”, Cleitinho havia atribuído a desistência anunciada na segunda-feira (3) a um momento de fragilidade emocional provocado pelo luto pela morte do irmão e afirmado que mudou de posição após uma experiência espiritual.
“Eu queria pedir para vocês, do fundo do meu coração, que me deixem disputar o governo de Minas. Eu peço essa oportunidade. Se vocês entenderem que não devo, eu vou respeitar. Mas eu precisava fazer esse pedido olhando nos olhos de vocês”, disse.
“Eu venho passando um momento de luto há 15 dias. Na hora que eu fui decidir essa situação, tive um momento de vulnerabilidade, de espiritualidade. Não estava bem e fiz aquele vídeo”, afirmou.
O senador também disse que voltou atrás após um momento de oração. Segundo ele, sentiu que o irmão o incentivava a não desistir da disputa. “Parece que ele falou para mim: ‘Você vai desistir? Você não vai disputar?’. Aquilo mexeu muito comigo. Eu senti no meu coração que eu não podia desistir”.
“Eu não estou aqui por vaidade, por poder ou por projeto pessoal. Eu estou aqui porque acredito que Deus tem um propósito para a minha vida e porque eu tenho uma missão com o povo de Minas Gerais”, declarou o senador.
Anúncio do Republicanos
A desistência de Cleitinho havia sido anunciada oficialmente na segunda-feira (3), em vídeo gravado ao lado de Marcos Pereira e do presidente estadual do Republicanos em Minas, Euclydes Pettersen. O vídeo, inclusive, só foi gravado depois de o senador tentar reverter a decisão anunciada unilateralmente pelo Republicanos, na quarta-feira (29).
Na ocasião, a legenda informou que, após meses de indefinição de Cleitinho sobre disputar ou não o governo de Minas, havia decidido barrar sua candidatura. No entanto, como O Fator mostrou, a nova decisão foi tomada em meio a alguns impasses. Entre eles, distribuição das vagas na chapa.
Cleitinho desejava ter como vice o ex-prefeito de Patos de Minas e ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM) Luís Eduardo Falcão, também do Republicanos. Enquanto isso, correligionários defendiam que a indicação para a vaga fosse pactuada entre outros partidos interessados em compor a aliança, como o PL, o PP e o União Brasil.