O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) afirmou, nesta terça-feira (4), que o vídeo em que comunica que desistiria da disputa pelo governo de Minas Gerais foi gravado em um momento de dúvida e que, após a repercussão da gravação e conversas com familiares, decidiu continuar como candidato.
A declaração foi dada após a convenção nacional do Republicanos, em Brasília (DF), onde Cleitinho fez um apelo público para que a legenda reveja a decisão de retirar seu nome da disputa pelo governo de Minas. Durante o encontro, o senador pediu a palavra diante da cúpula partidária e afirmou que gostaria de continuar na corrida pelo Palácio Tiradentes.
O pedido surpreendeu dirigentes e outras lideranças do Republicanos que estavam na mesa principal, entre elas o presidente nacional da sigla, deputado federal Marcos Pereira (SP), e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (PB). Ainda durante o evento, Pereira deu uma “bronca” no parlamentar e cravou que a legenda não iria reverter a decisão.
Em entrevista coletiva após a convenção, Cleitinho explicou que o vídeo em que anunciava a desistência foi gravado em um momento de fragilidade emocional provocado pelo luto pela morte do irmão, que ocorreu no último mês, e por problemas enfrentados pela família.
“Depois da Copa do Mundo eu ia anunciar. Só que esses 15 dias não estão sendo fáceis para mim. Realmente, para vir para a campanha agora como eu sempre fui, eu não estou do mesmo jeito que eu fiz três campanhas”, afirmou ao citar a situação de saúde da mãe como um dos fatores que pesaram na decisão de adiar a entrada na disputa.
“Na hora que eu fiz (a gravação), eu liguei para os meus irmãos e eles falaram: ‘Não faz, continua como candidato, que a gente vai te apoiar’. Aí eu pedi ao Marcos Pereira, presidente: ‘Não solta o vídeo, não, que eu quero vir candidato’. Só que ele já tinha ido para uma reunião. Depois ele pegou e soltou o vídeo”, completou.
Novo encontro
Cleitinho disse ainda a jornalistas que pretende se reunir novamente com Pereira nesta terça-feira para tentar convencer o dirigente a rever o posicionamento de apoiar outro nome na disputa pelo governo de Minas. O senador, porém, acrescentou que não pretende fazer críticas ao presidente do partido e disse considerar legítima a posição adotada por ele.
“Eu vou tentar convencer ele. É um direito dele, eu não vou fechar. Primeiro eu vou conversar, sem conversar eu não vou fazer nada. Eu acho que a gente tem que ser homem com o outro, como ele sempre foi comigo e eu com ele, e a gente sentar e conversar. Simples”, declarou.
Ele também declarou que não pretende, neste momento, deixar a legenda ou apoiar outro nome caso o Republicanos mantenha a decisão. Segundo ele, antes de qualquer movimento, é preciso conversar com o presidente nacional da sigla. “Não tem como eu falar que não vou apoiar o outro. Eu quero me apoiar. Mas deixa eu definir isso primeiro”, afirmou.
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Entenda o impasse entre Cleitinho e o Republicanos
A crise relacionada à candidatura de Cleitinho Azevedo ao governo de Minas começou após meses de indefinição do senador sobre disputar ou não o Palácio Tiradentes. Enquanto o parlamentar avaliava o cenário eleitoral e enfrentava questões pessoais, o Republicanos passou a cobrar uma definição para avançar nas articulações da chapa.
Na quarta-feira (29), a legenda anunciou que havia decidido retirar Cleitinho da disputa. Como mostrou O Fator, a decisão ocorreu após o partido avaliar que o período de indefinição havia prejudicado as negociações para composição da aliança e para definição dos espaços na chapa.
Desde então, o senador mineiro se reuniu pelo menos três vezes com Marcos Pereira na tentativa de convencê-lo a rever a decisão. Nos bastidores, porém, um dos principais entraves estava relacionado à definição do candidato a vice-governador.
Cleitinho defendia o nome do ex-prefeito de Patos de Minas e ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão, também do Republicanos. Parte da sigla, porém, defendia que a vaga fosse negociada com outros partidos interessados em integrar a aliança, como PL, PP e União Brasil.
Sem chegar a um meio-termo e com as conversas já avançadas entre o Republicanos e a federação União Brasil-PP, que teria o ex-secretário de Governo de Minas e deputado federal Marcelo Aro (PP) como cabeça de chapa, além do apoio do PL, que indicaria o deputado federal Domingos Sávio para a disputa ao Senado, o Republicanos publicou um vídeo na segunda-feira (3).
Cleitinho aparece na gravação ao lado do presidente nacional do Republicanos e do presidente estadual da legenda em Minas, Euclydes Pettersen, anunciando que não seria mais candidato. Na ocasião, o senador afirmou que a decisão estava relacionada ao momento pessoal que enfrentava, disse não estar bem emocionalmente e que precisava se dedicar à família.
Já na manhã desta terça-feira, o parlamentar pediu a palavra durante a convenção nacional da legenda, surpreendendo dirigentes, e fez um apelo público para que o partido reveja a decisão e autorize sua candidatura ao governo mineiro. O pedido, no entanto, foi rejeitado por Pereira, que afirmou que a legenda não poderia ficar “indo e voltando” em definições políticas.
Após a convenção, Pereira disse que a possibilidade de candidatura de Cleitinho Azevedo ao comando do estado é “página virada”. “A decisão (sobre a não candidatura) está tomada. O que eu disse está dito, porque é a expressão da verdade. Não tenho mais nada o que falar sobre o assunto. Para mim, é página virada”, afirmou, em entrevista coletiva.