Governo de Minas recorre de decisão determinando retomada integral das atividades do Hospital Maria Amélia Lins

Estado diz que reabertura de salas cirúrgicas prejudicaria modelo que redistribuiu intervenções por outras casas de saúde da RMBH
O Hospital Maria Amélia Lins, em BH.
Hospital Maria Amélia Lins, em BH. Foto: Fhemig/Divulgação

O governo de Minas Gerais apresentou recurso contra sentença da Justiça que determinou a retomada integral, em 15 dias, das atividades do Hospital Maria Amélia Lins (HMAL), na região Centro-Sul de Belo Horizonte. No recurso, o Executivo estadual pede que, caso a decisão seja mantida, o processo ocorra por meio de um plano de ação a ser elaborado pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig).

Na apelação, protocolada na segunda-feira (3), a Advocacia-Geral do Estado (AGE) sustenta que, ao determinar a retomada do centro cirúrgico da unidade, a sentença pode comprometer a organização da rede pública de saúde.

Segundo a AGE, com a interrupção de parte dos atendimentos no Amélia Lins, a Fhemig implementou alternativas consideradas satisfatórias, como a transferência do serviço de ortopedia para o Hospital Júlia Kubitschek, a reabertura do pavilhão cirúrgico do Hospital Cristiano Machado, em Sabará, e a redistribuição de outros procedimentos para o Hospital João XXIII.

“Recompor as escalas do HMAL significa desfalcar os blocos cirúrgicos que hoje produzem 21,82% a mais do que a configuração de 2024 e desorganizar escalas de anestesiologia, de enfermagem e de equipes cirúrgicas em regime consolidado”, afirma trecho do recurso obtido por O Fator.

A argumentação é que seria necessário desmontar, em curto prazo, a atual reorganização da rede assistencial da Fhemig, com remanejamento de servidores e recursos de outras unidades para o HMAL. De acordo com a peça recursal, a sentença não considerou “o ganho de efetividade da política pública realizada” nem “a alocação racional dos escassos recursos de pessoal da rede”.

Em um dos trechos do recurso, o governo afirma ter havido aumento no número de cirurgias de ortopedia e traumatologia após a redistribuição dos serviços. Segundo a apelação, de janeiro a junho de 2024, o HMAL e o João XXIII realizaram, juntos, 3.182 procedimentos. No mesmo período de 2026, João XXIII, Cristiano Machado e Júlia Kubitschek responderam por 3.361 cirurgias.

Acordo com a Santa Casa

Para sustentar a manutenção do modelo atual, a AGE também cita o acordo firmado entre a Fhemig e a Santa Casa de Belo Horizonte para a cessão gratuita do prédio do HMAL. O instrumento tem validade de cinco anos, com possibilidade de prorrogação por igual período.

Na avaliação do governo, a cessão é incompatível com o cumprimento da sentença que determinou a retomada integral das atividades da unidade.

“Ou (i) o HMAL retorna ao ‘status quo ante’ ou (ii) é cedido para que haja a realização das cirurgias almejadas com o referido edital e, em acréscimo, redistribui-se a produção hospitalar dentro da rede Fhemig: as alternativas mostram-se materialmente incompatíveis entre si”, diz o recurso.

A decisão

A sentença contestada pelo governo mineiro foi proferida na terça-feira passada (28) pelo juiz Wenderson de Souza Lima, da 2ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias da Comarca de Belo Horizonte, e ratificou liminar concedida anteriormente no processo.

Na ação civil pública, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) sustenta que o fechamento do HMAL representou um “ato de desmonte do serviço público com vistas à terceirização”. 

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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