O Psol de Minas Gerais vai se amparar em dois argumentos principais para apresentar, à direção nacional da federação partidária com a Rede Sustentabilidade, um recurso contra a decisão do bloco pelo apoio a Alexandre Kalil (PDT) na disputa pelo governo do estado. O embarque na coligação de Kalil foi decidido por 4 votos a 3 nesta segunda-feira (10).
“Nacionalmente, há o acordo da Federação Rede-Psol que estabelece o apoio ao palanque do presidente Lula nos estados. Soma-se a isso o fato grave de que o PSDB não está no arco de alianças do Psol”, disse a O Fator a presidente estadual do partido, a vereadora de Belo Horizonte Iza Lourença.
A Rede conseguiu arrastar o Psol para o cordão de Kalil por ser a legenda majoritária da federação no estado. Partidos unidos em arranjos do tipo precisam, ao menos no papel, caminhar lado a lado em todas as esferas eleitorais. Como a reportagem já mostrou, os pessolistas defendem o apoio à candidatura do deputado federal Patrus Ananias (PT) ao Palácio Tiradentes e já alinharam que vão pedir votos a ele, mesmo que a composição tenha de ser informal.
“Vamos recorrer nacionalmente, porque uma coligação com o PSDB de Aécio Neves vai contra tudo o que construímos. Estamos tranquilos de que esse é o entendimento da federação a nível nacional. Estaremos ao lado de Patrus Ananias, do presidente Lula e de nossas senadoras Áurea Carolina e Marília Campos”, completou Iza Lourença.
Citados pela dirigente, os tucanos tiveram a prerrogativa de indicar o vice de Kalil. A vaga ficou com o ex-deputado Carlos Mosconi.
Independentemente do desfecho sobre os rumos na disputa pelo governo do estado, a candidatura de Áurea ao Senado está preservada. Trata-se de ponto de convergência entre as cúpulas de Psol e Rede.
A justificativa da Rede
Ao anunciar a decisão pelo apoio a Kalil, a Rede afirmou que escolheu a composição pela capacidade do pedetista de “construir uma candidatura competitiva e dialogar com setores da esquerda e do centro democrático”.
Paulo Lamac, porta-voz nacional da sigla, foi vice-prefeito de Belo Horizonte no primeiro mandato de Kalil, entre 2017 e 2020.