O que o Tesouro respondeu à ALMG sobre os bens e ativos oferecidos por Minas no Propag

Em ofício enviado à Assembleia, o Tesouro explicou em que etapa está a negociação dos bens oferecidos por Minas
A sede do Ministério da Fazenda
Tesouro Nacional avalia bens mineiros que poderão ser incorporados ao patrimônio da União. Foto: Washington Costa/MF

A Secretaria do Tesouro Nacional (STN) informou nesta terça-feira (11) à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) que não há prazo definido para decidir sobre a aceitação dos ativos oferecidos pelo governo mineiro no âmbito do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).

Segundo o órgão federal, os bens apresentados pelo estado para abater parte do débito com a União ainda estão em análise. Pelo contrato de adesão, o estado quer repassar inicialmente R$ 35,8 bilhões em ativos à União para amortizar o passivo.

“Em relação à avaliação dos ativos ofertados, informamos que as normas que disciplinam o Propag não estabelecem prazo geral para que a União indique os ativos a serem aceitos no âmbito do referido Programa. Isso se deve ao fato de tal aceitação decorrer de processo negocial complexo e de avaliação técnica individualizada, cuja formalização ocorre apenas após a definição do valor dos ativos e a concordância entre as partes”.

Sobre os bens oferecidos, o documento afirma que a análise segue em curso. O Tesouro diz que tem “envidado esforços para assegurar a análise tempestiva das propostas”, além de identificar eventuais necessidades de complementação documental junto a outros órgãos e realizar reuniões técnicas com representantes do estado.

A resposta da pasta, obtida por O Fator, atende a um pedido de informações feito pela Comissão de Administração Pública da ALMG. O colegiado encaminhou à União um requerimento apresentado por deputados de oposição ao governo estadual, que solicitaram dados sobre a adesão do Executivo ao Propag.

Linha do tempo

Ainda segundo a STN, Minas deverá firmar um termo aditivo final após a definição sobre a aceitação e o valor dos ativos oferecidos para amortizar a dívida. A administração estadual assinou o primeiro termo aditivo do Propag em dezembro de 2025.

Para cumprir a exigência de amortização mínima da dívida, que à época estava na casa dos R$ 181 bilhões, o estado enviou uma relação de bens e ativos para abater parte do débito. A lista reúne créditos, receitas futuras e participações societárias, incluindo ações da Companhia Energética (Cemig) e da Companhia de Desenvolvimento (Codemge).

Instituído em 2025, o Propag oferece condições mais favoráveis para o refinanciamento dos débitos dos estados com a União, como juros de 0% ao ano e redução do passivo por meio da transferência de ativos. A adesão exigiu o encerramento do Regime de Recuperação Fiscal (RRF).

“A partir desse momento, o Estado passou a sujeitar-se ao regime jurídico estabelecido pela Lei Complementar nº 212, de 2025, o qual prevê, por exemplo, a prerrogativa de incremento gradual do valor devido das prestações da dívida refinanciada, e o dever de observar o limite de crescimento das despesas primárias”.

Fransciny Ferreira é jornalista, com especialização no setor público e em gestão de imagem. Atua na cobertura política, com experiência em redações, assessoria de imprensa e marketing digital. Foi editora-chefe de O Tempo em Brasília, assessora da Presidência do Senado e liderou estratégias de PR no setor farmacêutico. Sugestões de pautas para: [email protected]

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