Com bancada estadual esquecida, divisão do fundo eleitoral gera reclamações no União Brasil

A queixa também atinge a bancada federal, que recebeu recursos, mas teme falta de financiamento para campanhas menores
Antonio Rueda sorrindo, de terno azul, com backdrop do União Brasil ao fundo
Antonio Rueda, presidente da executiva nacional do União Brasil e responsável por dividir o fundo eleitoral do partido. Foto: reprodução/União Brasil.

Há divergências dentro do União Brasil quanto à divisão do fundo eleitoral para financiamento de campanha. O Fator apurou que a insatisfação atinge, principalmente, a bancada do partido na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), mas também o núcleo federal.

As reclamações aumentaram após um repasse de R$ 500 mil para o vereador de BH Cleiton Xavier, candidato do partido à ALMG. A transferência aconteceu por articulação do prefeito de BH Álvaro Damião, atual presidente da federação entre a legenda e o PP em Minas.

Segundo registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), enquanto Cleiton recebeu R$ 500 mil mesmo sem mandato, os seis deputados estaduais que tentam a reeleição ainda não conseguiram um centavo do partido até esta terça-feira (1º).

São eles: Arnaldo Silva, Betinho Pinto Coelho, Doutor Paulo, Grego da Fundação, Professor Wendel Mesquita e Rodrigo Lopes. Ione Pinheiro não tentará a reeleição após obter cadeira no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG).

Segundo fontes, o atraso no envio dos recursos vem de Brasília, sobretudo do presidente da executiva nacional do União Brasil, Antonio Rueda.

Queixa federal

Os deputados da bancada federal do União Brasil já receberam R$ 1 milhão cada para financiamento de suas campanhas, mas nem por isso estão satisfeitos.

A principal reclamação diz respeito à falta de recursos para candidatos menores. A preocupação fica por conta da eleição proporcional, na qual os votos totais da legenda são fundamentais para a reeleição desses parlamentares.

O temor fica por conta da força do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) nas bases desses candidatos. Há o receio de que o parlamentar mais votado do Brasil em 2022 cresça seu alcance nas urnas em outubro, o que retiraria eleitores de outros candidatos à direita.

“Se o cara, mesmo com chance pequena de ganhar, não recebe dinheiro para financiar a campanha, acaba desanimando e desiste agora mesmo, no início. Isso é muito ruim, porque o Nikolas vai eleger muita gente no PL”, disse uma fonte em sigilo à reportagem.

A bancada federal do União é composta por Rodrigo de Castro, Rafael Simões, Samuel Viana, Zé Silva, Delegado Marcelo Freitas, Igor Timo e Luiz Fernando Faria.

Repórter de bastidores e orientado por dados de O Fator em Belo Horizonte, onde cobre política e mercado. Também é professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, onde leciona disciplina ligada ao jornalismo de dados. Trabalhou por sete anos no jornal Estado de Minas, onde foi repórter e coordenador de jornalismo de dados. Também trabalhou no caderno de política do jornal O TEMPO por dois anos. É master em Jornalismo de Dados, Automação e Data Storytelling pelo Insper.

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