O novo escritório que representará os atingidos pela tragédia de Mariana na Justiça do Reino Unido tem em seu quadro de profissionais três advogados que trabalharam com Thomas Goodhead no Pogust Goodhead, escritório que acompanha os atingidos desde o início da ação na corte britânica.
São eles: Faranak Ghajavand, Jeremy Evans e Callum Walters. Os dois primeiros eram sócios de Thomas no escritório até setembro do ano passado, quando ele saiu da firma que havia fundado em 2018.
O próprio site do Bailey Glasser International (BGI) – o escritório americano que assumirá a defesa dos atingidos – faz referência à passagem dos advogados pelo Pogust.
Ghajavand, por exemplo, é tratada como a então sócia responsável pela segunda fase da ação dos atingidos contra a BHP, tendo liderado uma equipe de cerca de 30 advogados em Londres e no Brasil. O novo escritório pontua que ela foi a responsável por elaborar a estratégia para o prosseguimento da ação, “garantindo o agendamento antecipado do julgamento e obtendo a aprovação judicial para as propostas dos requerentes de que o caso avançasse por meio de ações-piloto”.
Segundo seu perfil no Linkedin, Ghajavand foi diretora jurídica do Pogust entre junho de 2023 e abril de 2025 e sócia entre abril de 2025 e dezembro de 2025 – a saída se deu poucos meses após o desligamento de Thomas.
Já Jeremy Evans é descrito como o ex-líder da equipe de direito da concorrência do Pogust, além de ter integrado a equipe de compliance do escritório. No caso de Mariana, ele “contribuiu para o estabelecimento da jurisdição dos tribunais ingleses antes da conclusão do julgamento”.
De acordo com sua conta no Linkedin, Evans foi sócio do Pogust Goodhead de outubro de 2020 a fevereiro de 2026.
Por último, Callum Walters é descrito como ex-membro-chave da equipe responsável pelo litígio contra a BHP, caso que ele atuou desde 2018. No Pogust, ele mantinha cargo de associado.
Procurado, Thomas Goodhead pediu para que O Fator procurasse a assessoria de imprensa do BGI. Em nota, o escritório afirmou que “a prioridade é justamente garantir continuidade aos autores, com uma equipe que tem muitos anos de experiência no caso e profundo conhecimento das questões envolvidas.”
A mudança de escritório
Nesta terça-feira (1), o escritório Bailey Glasser publicou um comunicado em que diz ter sido escolhido pelo Comitê de Clientes do Litígio de Mariana para ser o novo representante dos atingidos na Justiça Inglesa. Além dele, o escritório Hausfeld & Co LLP prestará apoio à condução do caso em Londres.
De acordo com o comunicado, a mudança de representação não altera os termos dos contratos dos requerentes, que somente pagarão honorários em caso de sucesso da ação. Além disso, a alteração diz respeito apenas a pessoas físicas, comunidades indígenas e quilombolas, empresas e instituições religiosas –municípios, portanto, ficam de fora.
O processo é movido desde 2018 na Justiça inglesa e envolve mais de 420 mil autores brasileiros.
Em nota, o escritório Pogust Goodhead contestou a legalidade da mudança e afirmou que o Comitê de Clientes não tem autoridade para destituí-lo do caso.
“O escritório continua representando centenas de milhares de brasileiros atingidos pelo maior desastre ambiental da história do país, e o litígio segue normalmente”, afirma.
Bastidores
O Fator apurou que o Comitê de Clientes, um grupo de 11 pessoas que representam os atingidos, comunicou o Pogust Goodhead em 21 de agosto sobre supostas falhas na gestão do caso. O escritório, então, teria respondido a notificação, mas no último sábado (29) o presidente do Comitê manifestou seu interesse em rescindir o contrato.