Tom Goodhead é contratado por escritório que tenta assumir defesa de atingidos de Mariana

Firma americana BGI já tinha em seus quadros antigos sócios de advogado britânico
Lama toma conta de Mariana, após rompimento de barragem
Rompimento da barragem do Fundão, em Mariana. Foto: divulgação/Corpo de Bombeiros.

O escritório americano Bailey Glasser International (BGI) anunciou, nesta quinta-feira (16), que contratou o advogado Thomas Goodhead para atuar como barrister na ação de Mariana na Inglaterra.

A contratação oficializa ainda mais um vínculo entre o BGI e antigos integrantes do Pogust Goodhead, escritório de advocacia que inicialmente representava os atingidos de Mariana. Conforme O Fator noticiou no início de setembro, o BGI tem em seu quadro antigos sócios e advogados da firma britânica, inclusive aqueles responsáveis por lidar diretamente com o caso Mariana. 

No comunicado desta quinta, o BGI afirma que Goodhead atua no caso desde 2018, “tendo sido responsável por uma das maiores ações coletivas da história”. Ele é um dos fundadores do Pogust Goodhead e é peça central do processo que acusa a mineradora BHP na Justiça inglesa pela tragédia de Mariana. 

“Sinto uma enorme responsabilidade em ajudar a concluir o trabalho que começamos há oito anos”, afirma no comunicado. “É uma honra ter sido convidado a retornar a uma causa que significa tanto para mim por tudo o que representa. Meu retorno é, acima de tudo, sobre servir aos clientes, portanto meu foco não está no passado, nem em disputas entre escritórios – mas em garantir que centenas de milhares de pessoas tenham a representação forte, independente e comprometida que merecem. Todo o resto é secundário.” 

Além de dois ex-sócios do Pogust Goodhead que já haviam sido incorporados ao BGI, o escritório americano contratou outros dois: Leila-Zoe Mezoughi e Guy Robson.

Ao todo, segundo o BGI, mais de quinze advogados que trabalharam na causa retornam agora ao processo.

Disputa na Justiça

Os escritórios BGI e Pogust Goodhead batalham na Justiça inglesa o direito de representar os cerca de 420 mil atingidos pelo rompimento da barragem do Fundão, de propriedade da Samarco, uma joint venture da Vale e BHP. 

Desde o início da ação na Inglaterra, os atingidos eram representados pelo escritório Pogust Goodhead, que era comandado por Tom Goodhead até setembro do ano passado 

Mas no final do mês passado, o Comitê de Clientes do Litígio de Mariana, um grupo formado para representar os atingidos, divulgou um comunicado em que afirma ter escolhido o BGI como seu novo representante legal na Justiça do Reino Unido.

Agora, os escritórios disputam se o Comitê tem, de fato, competência para destituir o Pogust Goodhead da defesa de todos os 420 mil atingidos.

Formado em jornalismo pela PUC Minas, Pedro Lovisi trabalhou nas redações do jornal Estado de Minas e da Rádio Itatiaia. Nos últimos cinco anos, foi repórter da Folha de S.Paulo, onde se destacou pela cobertura econômica de setores ligados à transição energética, principalmente energia e mineração. Também é mestre em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais pela PUC SP, onde estudou instrumentos orçamentários para cidades mineradoras de Minas Gerais.

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