Campeão de votos pela segunda vez seguida em Minas Gerais, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) atribui o bom desempenho ao trabalho político que iniciou ainda na juventude, como estudante universitário. Ele conversou com O Fator na noite deste domingo (4), já na reta final da apuração. A reboque dos resultados, os liberais mineiros devem formar uma bancada robusta na Câmara.
“Comecei sozinho dentro da escola e da faculdade, uma voz solitária. Depois, quando você entra para a política, as pessoas percebem que existe uma voz que não é aquela aveludada dos políticos anteriores; é a voz genuína que vem do coração”, disse.
Com cerca de 87% das urnas apuradas, Nikolas possui aproximadamente 2,79 milhões de votos. O resultado supera com folga o de 2022, quando o então vereador de Belo Horizonte conseguiu o apoio de 1,47 milhão de eleitores para se mudar ao Congresso Nacional.
Nikolas completou 30 anos em maio, idade mínima para disputar o governo de Minas, e chegou a ser cotado para a sucessão estadual. A direção nacional do PL, no entanto, definiu ainda em 2024 que o deputado deveria tentar a reeleição.
O cálculo do presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, considerou o fundo eleitoral, que é definido pelo número de deputados federais eleitos. A legenda chegou a pressionar o mineiro a concorrer por São Paulo para compensar a perda de puxadores de votos no estado.
O bom desempenho de Nikolas afetou a composição da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG): candidatos a deputado estadual apoiados por ele estão na lista parcial de eleitos do PL. Entre eles, o vereador belo-horizontino Pablo Almeida. Segundo o deputado federal, a chamada “bancada do Nikolas” não serve a projetos pessoais.
“Não tenho dúvida de que, se a gente conseguiu fazer sete deputados estaduais, a gente vai conseguir transformar Minas Gerais em um patamar em que a gente nunca esteve”, projetou.
O crescimento
Há quatro anos, então vereador de Belo Horizonte e com 26 anos, Nikolas recebeu 1,49 milhão de votos, a maior votação do país. O número fez dele o terceiro deputado mais votado da história da Câmara, atrás de Eduardo Bolsonaro, com 1,84 milhão em 2018, e de Enéas Carneiro, com 1,57 milhão em 2002.
O peso eleitoral gerou atritos. Como mostrou O Fator, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) buscou administrar o espaço político do deputado para evitar perda de protagonismo na legenda.
Isso porque, ao longo do mandato, Nikolas passou a ser tratado no PL como o principal nome do partido fora da família Bolsonaro, com pauta mais nacional do que mineira, e com desejos próprios.
Em janeiro, liderou uma caminhada de cerca de 255 quilômetros entre Paracatu e Brasília contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e passou a ser citado por Valdemar como futuro candidato à Presidência.
Ele também interferiu diretamente na montagem da chapa do PL em Minas. O deputado manifestou incômodo com a filiação de parlamentares com mandato vindos de outras siglas e chegou a cogitar publicamente a saída do partido.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, pediu a Nikolas e ao presidente estadual do PL, Domingos Sávio, que controlassem as diferentes alas da sigla em Minas. Além disso, deu ao correligionário carta branca para as negociações.