Orçamentos de MPMG e Defensoria para 2027 não acompanham aumento dado ao TJMG

Mudança no montante previsto ao Tribunal fez governo estadual reencaminhar Projeto de Lei Orçamentária Anual à Assembleia
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais
Acordo com o governo ampliou orçamento do Tribunal para o ano que vem. Foto: Robert Leal/TJMG

O aumento no orçamento do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) para 2027, que fez o governo do estado reenviar à Assembleia Legislativa (ALMG) o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) do próximo exercício, não foi acompanhado por reajuste nos valores previstos para o Ministério Público (MPMG) e para a Defensoria Pública (DPMG). A conclusão é fruto de comparação feita por O Fator a partir das duas versões do PLOA.

Inicialmente, o Palácio Tiradentes calculava repassar cerca de R$ 11,681 bilhões à Corte. Com a nova redação do material, a equipe econômica do governador Mateus Simões (PSD) passou a atribuir R$ 13,314 bilhões ao Tribunal. 

As cifras calculadas para o MPMG e para a DPMG, entretanto, seguiram em R$ 4,811 bilhões e R$ 1,275 bilhão, respectivamente. Os valores, assim como os atribuídos ao TJMG nas duas versões da peça orçamentária, não consideram fundos auxiliares de cada um dos órgãos.

O incremento nos repasses do TJMG é, tradicionalmente, seguido por ampliação da verba provisionada ao Ministério Público e à Defensoria Pública. O fato de a situação não se repetir no PLOA de 2027 gerou um mal-estar interno no MPMG, pelo que soube a reportagem. A queixa está alicerçada no fato de a instituição não ter conseguido acompanhar o triunfo do Tribunal.

Déficit sobe

A primeira versão da PLOA estimava déficit de R$ 8,869 bilhões. No entanto, como mostrou O Fator, a composição com o TJMG ampliou o rombo para R$ 10,502 bilhões.

A mudança decorreu da necessidade de aumentar a previsão de despesas. Os gastos, antes projetados em R$ 153,868 bilhões, tiveram de ser reposicionados em R$ 155,501 bilhões. As receitas, por sua vez, ficaram em R$ 144,999 bilhões, independentemente da versão do PLOA.

Caso remonta a 2024

A decisão do governo Simões de rever as diretrizes orçamentárias para 2027 e recalcular a fatia destinada ao TJMG guarda relação com um acordo firmado entre os Poderes no ano retrasado. 

À época, a reboque da delicada situação fiscal de Minas, o Executivo sinalizou que os repasses anuais ao Judiciário e ao Legislativo só seriam reajustados pela correção inflacionária. Governo e Corte, contudo, firmaram um acordo em que o Tribunal conseguiu um incremento no orçamento previsto, sob a condição de custear parte das despesas do Executivo no sistema de Justiça, como obras em presídios.

Para 2027, o governador pediu que o pacto fosse fechado antes de 30 de setembro, dia do envio da primeira redação do PLOA à Assembleia.  Entretanto, conforme fontes do Executivo, o TJMG alegou que não conseguiria concluir os trâmites internos a tempo. 

Então, a primeira versão do projeto não contemplava na íntegra o pleito do Poder vizinho. Depois, Simões refez a rota e decidiu abarcar a reivindicação, ocasionando o reenvio do texto.

Antes da nova composição entre as partes, o desembargador Vicente de Oliveira, que preside o TJMG, chegou a sinalizar que, sem acordo, a Corte poderia ir à Justiça em prol do patamar orçamentário que considerava adequado.

Em setembro, durante sessão do Órgão Especial, Oliveira afirmou que o Tribunal aceitava o reajuste de 5,15%, em linha com o Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). A divergência, sustentou o magistrado, era sobre a base de cálculo. Segundo ele, esse percentual deveria ser aplicado sobre uma base ampliada.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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