Lula vence Flávio Bolsonaro no 2º turno e é reeleito presidente

Petista reverteu a desvantagem do primeiro turno e terá pela frente um Congresso com o PL na maior bancada da Câmara e do Senado
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante ato de campanha em São Paulo (SP).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no 2º turno e cumprirá seu quarto mandato à frente do Palácio do Planalto. Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito para um quarto mandato à frente do governo federal. O petista derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) neste 2º  turno.

O resultado foi confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) neste domingo (25), com 98,27% das seções totalizadas.

Lula chegou ao 2º turno atrás. Em 4 de outubro, Flávio terminou a primeira rodada com 47,03% dos votos válidos, cerca de 56,1 milhões de votos, contra 45,16% do petista, ou 53,9 milhões.

A abstenção virou alvo das duas campanhas neste 2º turno. Segundo a Justiça Eleitoral, 33 milhões de pessoas não votaram em 4 de outubro, o equivalente a 21% do eleitorado.

Na avaliação de aliados de Lula, as redes sociais foram o principal motor da virada. Como mostrou O Fator, até lideranças do PL reconheciam na reta final que a esquerda havia ampliado sua presença no ambiente digital.

Prorrogação conturbada

A votação do 2º turno terminou em meio a uma confusão sobre o horário de encerramento. Perto das 17h, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prorrogação por duas horas em todas as seções do país.

O pedido foi feito pela campanha petista, que relatou problemas no transporte público em cidades da Bahia. Como muitas urnas já tinham sido fechadas, houve dúvida nas seções por cerca de uma hora, até que Zanin esclareceu que a medida valia apenas onde a votação ainda não tinha sido encerrada.

O TSE, presidido por Kassio Nunes Marques, orientou os tribunais regionais no mesmo sentido, e os votos das urnas fechadas às 17h serão totalizados normalmente.

Terceiro mandato

O terceiro governo de Lula começou sob ataque. Uma semana após a posse, em 8 de janeiro de 2023, apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília. 

Ao longo do mandato, o governo teve dificuldade para mostrar à população o que fazia. O próprio Lula reconheceu o problema, e a Secretaria de Comunicação Social (Secom) trocou de comando em 2025, com a chegada de Sidônio Palmeira.

A relação com os Estados Unidos também foi conturbada. Em 2025, o governo de Donald Trump impôs tarifa de 50% sobre produtos brasileiros e aplicou sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Lula também encontrou um Congresso Nacional diferente do que deixou em 2010. Desde então, as emendas passaram a ser de pagamento obrigatório e ganharam fatia maior do Orçamento, o que ampliou o controle de deputados e senadores sobre o dinheiro público. 

A derrota mais simbólica, contudo, veio em abril. O Senado rejeitou, por 42 votos a 34, a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF, a primeira recusa de um nome para a Corte desde 1894.

A derrubada foi atribuída ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que defendia a indicação do então senador mineiro e hoje ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Rodrigo Pacheco.

Congresso mais à direita

O novo mandato em 2027 começará com um Legislativo ainda mais à direita. O PL elegeu 121 deputados federais em 4 de outubro e continuará com a maior bancada da Câmara a partir de fevereiro de 2027, contra 70 do PT.

A principal vitória da direita, contudo, foi no Senado. O partido de Flávio elegeu 19 dos 54 senadores em disputa, entre eles o mineiro Domingos Sávio. Somados aos que seguem no cargo, serão 28 das 81 cadeiras, também a maior bancada da Casa.

Outro desafio será a sucessão. Lula, que na campanha de 2022 chegou a dizer que não disputaria a reeleição, completa 81 anos nesta terça-feira (27) e terá 85 ao fim do mandato, o que pressiona o PT a construir um nome capaz de herdar seu eleitorado.

Vice

Geraldo Alckmin (PSB) continua como vice-presidente, em repetição da chapa vitoriosa de 2022. Na avaliação do Planalto, o ex-governador de São Paulo ajudou o petista a abrir pontes com o centro, o empresariado e o eleitorado do Sudeste.

Além de vice, Alckmin comandou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) desde o início do mandato. Ele deixou a pasta em abril, já que a lei obriga ministros candidatos a sair do cargo seis meses antes da eleição.

Fransciny Ferreira é jornalista, com especialização no setor público e em gestão de imagem. Atua na cobertura política, com experiência em redações, assessoria de imprensa e marketing digital. Foi editora-chefe de O Tempo em Brasília, assessora da Presidência do Senado e liderou estratégias de PR no setor farmacêutico. Sugestões de pautas para: [email protected]

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