O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vão disputar o 2º turno da eleição para a Presidência da República. A condição de matematicamente eleitos foi confirmada neste domingo (4) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 98,62% das urnas apuradas.
As urnas repetiram o que as pesquisas mostravam, com oscilação pequena entre os dois candidatos. O primeiro turno teve campanhas apáticas, mas foi contaminado por fake news e pela interferência do Judiciário, até mesmo quando o assunto foi Nossa Senhora Aparecida.
Somam-se a isso as revelações da Polícia Federal (PF) sobre o Banco Master e a relação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com Flávio Bolsonaro, além da investigação de fraudes no INSS, que atingiu o filho do presidente Lula.
Nesse cenário, os dois polos travam, mais uma vez, a decisão presidencial. PT e PL reeditam o confronto de 2022, e quem tentou correr por fora ficou longe. A nova votação está marcada para 25 de outubro, também um domingo.
Dois projetos presos ao passado
A disputa opõe duas candidaturas que dependem de heranças. Aos 80 anos, Lula tenta mais quatro anos no Palácio do Planalto, no que seria o quarto mandato. O PT chega a 2026 sem ter construído um sucessor.
Flávio, por sua vez, concorre como herdeiro do espólio político do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso e inelegível. No 2º turno, ele terá de conter o desgaste do caso Master e buscar o apoio dos demais nomes da direita.
Escândalos dos dois lados
A estabilidade das pesquisas tem uma explicação para as equipes de campanha. Os casos que dominaram o cenário político atingiram os dois candidatos, e nenhum conseguiu usar o tema da corrupção contra o outro sem ser cobrado pelo próprio telhado.
Flávio foi alcançado pelo caso Master. Segundo a PF, ele pediu R$ 131 milhões a Vorcaro para a produção de Dark Horse, filme sobre o pai, dos quais R$ 60 milhões teriam sido pagos.
A proximidade com o ex-banqueiro, registrada em mensagens e encontros, também foi explorada pelos adversários. Flávio negava envolvimento de Vorcaro com o filme até maio, quando o Intercept Brasil revelou as tratativas e ele admitiu ter pedido dinheiro. Nas mensagens, chegou a chamar o ex-banqueiro de “irmão”.
Em julho, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de inquérito sobre o financiamento. O senador afirma que buscava patrocínio privado e nega irregularidades
Já a apuração sobre desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no âmbito da operação Sem Desconto, levou a PF ao filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, investigado por suspeita de tráfico de influência.
O caso também derrubou um dos auxiliares mais próximos de Lula. Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, deixou a chefia do gabinete pessoal do presidente em julho. Em agosto, saiu da campanha de reeleição depois de vir a público que recebeu R$ 249 mil da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e investigada pela PF. As defesas negam irregularidades.
Indecisos vão definir 2º turno
Sem vantagem nesse terreno e com os dois lados consolidados, a decisão vai ficar nas mãos de quem não escolheu nenhum deles.
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