O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) foi avisado por aliados de Jair Bolsonaro (PL) que o ex-presidente da República pode pedir a ele que não seja candidato ao governo de Minas Gerais. O Fator apurou que, se decidir intervir na disputa pelo Palácio Tiradentes, Bolsonaro deve recorrer a uma carta de próprio punho ou a interlocutores em comum para dar o recado ao parlamentar.
Ainda conforme apuração da reportagem, Cleitinho já foi informado de que Bolsonaro gostaria de conversar com ele e aguarda o contato. O ex-presidente cumpre prisão domiciliar temporária, com limitações de comunicação.
Reservadamente, pessoas próximas ao senador afirmam que ele considera Bolsonaro sua principal referência política e que o movimento pode levá-lo a não lançar candidatura. O recado poderia, ainda, chegar por meio de um dos filhos, como o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As condições do pedido, no entanto, ainda não são sabidas.
Nos bastidores, a possibilidade de o ex-presidente intervir na questão mineira ganhou tração nos últimos dias.
O desenho em discussão prevê o governador Mateus Simões (PSD) na cabeça de chapa, com o PL indicando o vice, entre Flávio Roscoe e Domingos Sávio — hoje pré-candidatos ao Executivo estadual e ao Senado Federal, respectivamente. Nesse cenário, a composição incluiria Carlos Viana (PSD) e Marcelo Aro (PP) como candidatos a senador.
A mais recente pesquisa da Quaest, divulgada nessa terça-feira (28), apontou Cleitinho na liderança da corrida ao Palácio Tiradentes. Os índices variam entre 30% e 37% das intenções de voto no primeiro turno.
O presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (SP), aliás, tem dito a correligionários em Minas que não abre mão de candidatura própria do partido ao governo do estado.
Nova investida
A tentativa de composição retoma tratativas iniciadas ainda em 2025, quando Flávio Bolsonaro, que ainda não tinha lançado pré-candidatura ao Palácio do Planalto, procurou Cleitinho para defender a unificação em torno de Simões. O senador mineiro, à época, não indicou recuo e sustentou que sua pré-candidatura estava alinhada à estratégia nacional do Republicanos.
O cenário atual, no entanto, ainda está longe de um desfecho. A parceria entre PL e Simões, construída no ano passado, sofreu abalos após o lançamento da pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. No meio de 2025, durante visita a Belo Horizonte, Bolsonaro defendeu uma composição com o pessedista — que à ocasião ainda era filiado ao Novo. A ideia naquele momento era obter espaço para que o PL pudesse indicar um dos candidatos ao Senado pela aliança.
Isso porque Simões deve apoiar Romeu Zema (Novo) à Presidência, enquanto o PL não abre mão de um palanque forte para Flávio em Minas, segundo maior colégio eleitoral do país e historicamente decisivo nas disputas nacionais.
Em 2022, por exemplo, Zema apoiou Jair Bolsonaro apenas no segundo turno. Em Minas, Bolsonaro teve 49,8% dos votos válidos, contra 50,2% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No país, Lula venceu com 50,9%, enquanto Bolsonaro ficou com 49,1%. Entre aliados, a avaliação é de que a ausência de um palanque unificado desde o início contribuiu para o resultado.
No PL mineiro, o principal entusiasta de uma composição com Simões é o deputado federal Nikolas Ferreira. Ele e o pessedista costumam participar, lado a lado, de viagens oficiais.
Estrutura nacional
A reconfiguração ocorre em paralelo à reaproximação entre Zema e o PL, conforme apontou O Fator.
Antes veementemente negada por interlocutores do ex-governador de Minas, a possibilidade de uma composição com o filho mais velho de Jair Bolsonaro já não é descartada pelo entorno do mineiro e passou a integrar o conjunto de negociações em curso.
- Leia também: