A possibilidade de o ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe (PL), ocupar o espaço de vice na chapa do governador Mateus Simões (PSD) nas eleições deste ano voltou a fazer parte, na última semana, das conversas sobre a sucessão do comando do estado.
Pelo que apurou O Fator, o tema voltou à mesa durante agenda na Fiemg, que contou com a presença do ex-governador de Goiás e candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, partido de Simões, na quinta-feira (23). Em um almoço com a presença de ambos, inclusive, esse cenário foi tratado de forma discreta.
Nos bastidores, interlocutores das siglas afirmam que as tratativas são iniciais e avaliam que esse cenário seria “uma das saídas concretas” para destravar a articulação da direita em Minas. Já Simões disse, durante coletiva de imprensa na segunda-feira (27), que ainda não começou a conversar com o PL.
O principal interessado nesse movimento, inclusive, é Roscoe. Ele se filiou ao PL no início do mês. O desenho, no entanto, envolve o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que terá a palavra final, com aval do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ). Como O Fator mostrou, o parlamentar tenta segurar o ritmo das definições políticas no estado.
Além disso, há uma questão de afinidade entre Simões e Roscoe que precisaria ser resolvida. Um dos motivos é o fato de o empresário ter deixado o comando da Fiemg, no início do mês, com críticas ao diálogo mantido pela gestão do ex-governador Romeu Zema (Novo). Essa interlocução era feita, principalmente, por Simões.
O nome de Roscoe já havia sido colocado à mesa em outros momentos, mas sem avanço. Ele apareceu, inclusive, em anotações de Flávio Bolsonaro após uma reunião para discutir a composição de chapas no país. No mesmo papel, o senador escreveu “puxa para baixo” ao lado do nome de Mateus Simões.
Cadeira vaga
A dificuldade em fechar o pré-candidato a vice-governador acompanha a pré-campanha de Simões desde o início. O grupo testou diferentes caminhos. Um deles passou pelo senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que chegou a indicar o irmão gêmeo, o ex-prefeito de Divinópolis Gleidson Azevedo (Republicanos), à época filiado ao Novo, para a composição.
Gleidson também foi cotado quando migrou para o Republicanos. Cleitinho, aliás, está nos planos do acordo entre PL e PSD, caso a dobradinha Simões e Roscoe avance. Ele desponta nas pesquisas, mas ainda não decidiu se lançará o nome ao Palácio Tiradentes.
Ainda foram considerados para vice do pessedista a vereadora Fernanda Altoé (Novo), o ex-deputado Tiago Mitraud (Novo) e o advogado Marcelo Tostes (Novo).
Acordo oscilando
O impasse expõe uma mudança no acordo inicial. Quando Simões deixou o Novo para se filiar ao PSD, havia o compromisso de que o partido indicaria o vice da chapa. Esse arranjo perdeu força. Hoje, o próprio governador afirma que a decisão está concentrada no ex-governador e candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo), e não mais na legenda.
A reconfiguração ocorre em paralelo à reaproximação entre Zema e o PL, conforme apontou O Fator. O partido de Jair Bolsonaro, aliás, condiciona o apoio em Minas ao alinhamento nacional. A exigência é que Simões declare apoio a Flávio Bolsonaro já no primeiro turno da disputa presidencial. Sem isso, não há garantia de adesão à candidatura estadual.
Pelo contrário. O PL pode apoiar outro candidato, como o próprio Cleitinho, ou até mesmo lançar um nome próprio. Entre os liberais, inclusive, o principal fiador do nome de Simões é o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o que não é corroborado com entusiasmo por outros integrantes da legenda, que preferem a segunda alternativa.
Lição tirada de 2022
Interlocutores afirmam que esse ponto dialoga com a leitura da sigla sobre a eleição passada. Em 2022, Zema apoiou Jair Bolsonaro apenas no segundo turno. Em Minas, Bolsonaro teve 49,8% dos votos válidos, contra 50,2% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No país, Lula venceu com 50,9%, enquanto Bolsonaro ficou com 49,1%. Entre aliados, a avaliação é de que a ausência de um palanque unificado desde o início contribuiu para o resultado. Ao mesmo tempo, Zema não tem dado sinais de que pretende abrir mão de se lançar na disputa.
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