A declaração do presidente nacional do PT, Edinho Silva, de que o senador Rodrigo Pacheco (PSB) não será candidato ao governo de Minas, feita na semana passada, desencadeou um mal-estar generalizado no diretório estadual mineiro com o dirigente.
Pelo que O Fator apurou, o desconforto aumentou dentro do PT mineiro após Edinho antecipar publicamente discussões ainda indefinidas sobre o cenário eleitoral no estado. Integrantes da legenda afirmam que a intenção do dirigente nacional era pressionar Pacheco a definir sua posição sobre a disputa, mas a movimentação não teve boa repercussão nem no PT nem entre aliados do PSB.
Uma das pessoas mais incomodadas com a situação foi a presidente estadual do partido, a deputada estadual Leninha.
Relatos feitos à reportagem apontam que Leninha reclamou diretamente com Edinho após a repercussão da declaração. Ela teria afirmado que o dirigente precisa “resolver em Brasília” antes de ampliar articulações em Minas e abrir debates públicos sem alinhamento prévio com a direção estadual.
O desconforto entre Leninha e Edinho foi publicado inicialmente pelo colunista Orion Teixeira, do jornal Estado de Minas, e confirmado por O Fator.
O incômodo aumentou após Edinho sinalizar que pretendia viajar para Belo Horizonte nos próximos dias para reuniões políticas com lideranças mineiras, incluindo o ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT). Segundo interlocutores do partido, Leninha questionou o objetivo da viagem diante da falta de definições concretas sobre o cenário eleitoral mineiro.
A avaliação de integrantes do PT é que a fala de Edinho acabou colocando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma situação desconfortável, já que qualquer definição sobre Pacheco deveria partir diretamente do Palácio do Planalto.
Em meio ao desgaste, integrantes da cúpula do PT mineiro se reúnem nesta segunda-feira (25), em Brasília, com a Executiva nacional do partido para discutir os rumos da legenda em Minas Gerais. O encontro foi convocado por Edinho e deve reunir Leninha e parlamentares mineiros da sigla em meio à tentativa de reorganizar a estratégia eleitoral no estado.