A ideia de um dos líderes de Zema na ALMG para aumentar o capital da Cemig

Deputados receberam, em novembro do ano passado, projeto a respeito da privatização da energética
Agência da Cemig
Projeto de privatização da Cemig chegou à Assembleia em novembro do ano passado. Foto: Guilherme Dardanhan/ALMG

Favorável a uma eventual privatização da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), o deputado estadual Roberto Andrade (PRD), líder da Maioria na Assembleia Legislativa, defende o aumento do capital da empresa como forma de ampliar a capacidade de investimentos. No modelo pensado por Andrade, a ampliação do número de quotas permitiria a venda de ações à iniciativa privada, que assumiria a gestão da companhia de luz. A inspiração, segundo ele, é o Aeroporto de Confins.

“O modelo que defendo para a Cemig seria aumentar o capital da empresa. Não é o estado vender suas ações. É o modelo feito no Aeroporto de Confins. Lá, aumentaram o capital e a União tem 49% das ações; os outros 51% foram vendidos para um grupo, que administra (o terminal). Esse dinheiro (da venda das ações) foi reinvestido no aeroporto”, disse, em entrevista veiculada no último dia 27 pela TV Assembleia.

A Maioria, chefiada por Andrade, reúne os parlamentares dos dois blocos de apoio a Zema, encabeçados pelos deputados Cássio Soares (PSD) e Noraldino Júnior (PSB). O núcleo de líderes pró-Zema na Casa tem, ainda, João Magalhães (MDB), que é o líder do governo.

“Se você aumentar o capital da Cemig e colocar esse dinheiro dentro da companhia, investindo na melhoria dos serviços, na geração e na distribuição de energia, estaria melhorando demais”, afirmou o deputado do PRD.

Em novembro do ano passado, Zema encaminhou à Assembleia uma proposta para transformar a Cemig em uma corporação. O modelo permite a pulverização de ações da energética no mercado financeiro.

Atualmente, o governo de Minas tem cerca de 17% das ações da Cemig. Paralelamente, possui 51% das chamadas ações ordinárias, que dão direito a voto. Caso a estatal se torne uma corporação, a ideia é manter o estado como acionista referência, tendo a prerrogativa de veto.

A estratégia é similar à adotada pelo governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), que conseguiu autorização legislativa para fatiar as ações da Companhia Paranaense de Energia (Copel). A mudança no modelo de gestão da Copel foi oficializada em agosto do ano retrasado. 

Copasa

Segundo Roberto Andrade, não é possível dissociar os debates a respeito das privatizações da Cemig e da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) das conversas sobre o Programa de Pleno Pagamento dos Estados (Propag). O arcabouço, pensado para diminuir as dívidas dos estados com a União, prevê a possibilidade de federalização de estatais.

“Eu sou a favor das privatizações de Copasa e Cemig. O governo federal, o Estado, cumpriu seu papel quando fez uma fábrica de avião, criou a Petrobras e fez uma empresa de energia. Mas, para as coisas fluírem melhor, para a economia fazer melhor, acho que tem de fazer negócio é a iniciativa privada”, avaliou.

Embora faça menção ao Propag, Andrade crê que uma eventual desestatização da Copasa encontrará mais respaldo na Assembleia. A ideia do governo Zema para a empresa de saneamento passa por duas possibilidades, descritas em outra proposta de lei enviada ao Legislativo.

Uma das hipóteses, segundo o projeto é a “a alienação total ou parcial de participação societária”. A outra gira em torno da “a capitalização, mediante o aumento de capital, com renúncia ou cessão, total ou parcial, dos direitos de subscrição”.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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