A mudança pedida por Zema em projeto tido como ‘prévia’ da privatização da Copasa

Governador solicitou a deputados estaduais alteração em texto que mexe nas regras de atuação da Arsae
O governador Romeu Zema
Zema quer modernização da Arsae e, posteriormente, privatização da Copasa. Foto: Dirceu Aurélio/Imprensa MG

O governador Romeu Zema (Novo) pediu, à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), uma mudança no texto do projeto de lei que trata da modernização da Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado (Arsae). A versão original da proposta, encaminhada pelo Executivo aos deputados estaduais em maio, colocava a Arsae sob o guarda-chuva da Secretaria-Geral. Agora, Zema quer manter a agência sob o respaldo da Secretaria de Estado de Meio Ambiente.

Como O Fator já mostrou, a aprovação da nova lei da Arsae é tida pelo governo do estado como condicionante para avanço das tratativas em prol da privatização da Companhia de Saneamento (Copasa). Em agosto, o vice-governador Mateus Simões (Novo) chegou a dizer a deputados que não faria sentido vender ações da estatal sem rever as regras do setor de saneamento em solo mineiro.

A devolução da Arsae à Secretaria de Meio Ambiente foi pedida por Zema na forma de emenda. O texto que mexe nas regras da agência está sob análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que nesta sexta-feira (12) apontou o presidente do colegiado, Doorgal Andrada (PRD), como relator.

O texto-base da nova lei da Arsae propõe o estabelecimento de 14 critérios para o funcionamento do saneamento em Minas. Segundo a proposta, uma das diretrizes será a ampliação do acesso da população de baixa renda aos serviços. Há, ainda, menção à obrigatoriedade de adesão a uma rede pública de abastecimento de água e de esgotamento sanitário.

O plano é que a regulação estatal do setor de saneamento aconteça quando o serviço for prestado por meio de contratos de concessão, convênios, empresas públicas estaduais, sociedades resultantes de processos de desestatização ou consórcios públicos.  Para serviços concedidos diretamente pelos municípios, a atuação da Arsae dependerá de autorização prévia.

Há, ainda, expectativa de que o projeto da Arsae seja dividido. Um texto vai tratar especificamente sobre a regulação do saneamento. Outro, se debruçará sobre o fortalecimento da agência. O fatiamento é defendido, inclusive, pelo presidente da Assembleia, Tadeu Leite (MDB).

Dinheiro ‘carimbado’

Nesta semana, o governo do estado enviou um substitutivo do projeto que trata especificamente sobre a privatização da Copasa. A autorização para a venda da companhia, agora, estará condicionada ao uso dos recursos no abatimento de parte da dívida mineira com a União, no âmbito do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).

A vinculação dos recursos da Copasa ao Propag está presente, também, na nova versão da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que elimina o referendo popular para a venda de estatais. A PEC, inclusive, pode ser votada pela CCJ da Assembleia na semana que vem.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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