O ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) tem dado sucessivas negativas às investidas de interlocutores do PT para que ele dispute uma vaga ao Senado Federal nas eleições deste ano.
Segundo fontes ouvidas por O Fator, emissários da legenda procuraram o pedetista nos últimos dias para abrir debate sobre uma eventual união, mas ouviram um “não” como resposta. Aliados afirmam que Kalil está incomodado com a insistência e tem demonstrado irritação com a pressão para abandonar o projeto de disputar o governo de Minas Gerais.
A movimentação ocorre em meio à consolidação da pré-candidatura do deputado federal Patrus Ananias (PT) ao Palácio Tiradentes, cenário que reduziu o espaço para uma composição em torno de Kalil na cabeça de chapa e levou parte do campo lulista a defender sua migração para a disputa ao Senado.
Resolução amplia pressão
Como O Fator mostrou mais cedo, a direção nacional do PDT decidiu que as alianças estaduais devem priorizar a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A resolução, aprovada durante a convenção nacional da legenda, deu à executiva federal a possibilidade de interferir nas articulações locais a fim de garantir o apoio a Lula.
Apesar da orientação nacional, dirigentes do PDT em Minas seguem afirmando que a pré-candidatura de Kalil ao governo está mantida e não está condicionada à montagem do palanque petista no estado.
Nos bastidores, interlocutores relatam que a aprovação da resolução intensificou as articulações para convencer Kalil a disputar o Senado. Além dos emissários petistas, integrantes do próprio PDT passaram a defender a solução.
O entorno de Kalil, contudo, garante que nada mudou. Nesta quarta-feira (22), inclusive, ele participou de uma reunião com auxiliares para discutir o programa de governo.
Em busca de alianças, ele mantém conversas com a federação formada por Psol e Rede Sustentabilidade, que busca espaço para a pré-candidatura da ex-deputada federal Áurea Carolina a senadora. Também há diálogo com o PSDB, que pretende lançar Aécio Neves para o pleito legislativo.
Marília pode ser entrave
Outro fator que dificulta uma candidatura de Kalil a senador com o apoio do PT está na legenda de Lula. Interlocutores do partido afirmam, reservadamente, que Marília Campos, ex-prefeita de Contagem e pré-candidata à Câmara Alta do Congresso Nacional, não vê com bons olhos a possibilidade de dividir a chapa com ele.
A avaliação de aliados é de que a entrada do ex-chefe do Executivo de BH alteraria o desenho político da disputa e reduziria o protagonismo da candidatura construída pelo partido para a Casa.