A votação no Psol que reprovou candidatura própria ao governo de Minas

Convenção da federação do partido com a Rede terminou com a ata em aberto para a disputa majoritária estadual.
Maria da Consolação falando ao microfone em audiência pública
Fora da majoritária, Maria da Consolação tentará a Câmara dos Deputados. Foto: Tatiana Francisca/CMBH.

A convenção do Psol e da Rede Sustentabilidade, realizada nesse domingo (26) na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), terminou com a ata em aberto para os rumos da federação quanto ao governo de Minas Gerais. O movimento aconteceu na esteira da retirada da pré-candidatura de Maria da Consolação, que não recebeu aprovação dos pessolistas em votação interna da legenda, sem a participação da Rede.

“O diretório estadual, instância de definição da tática eleitoral do Psol Minas, optou por não apresentar nenhum nome do partido para o governo de Minas e apoiar o nome de Patrus (Ananias, pré-candidato do PT)”, escreveu Consolação em nota enviada à imprensa.

Com isso, a professora vai concorrer à Câmara dos Deputados. Pessoas ligadas ao grupo político dela garantiram a O Fator que não houve desistência de concorrer à majoritária estadual, mas uma derrota dentro do próprio Psol.

Como mostrou a reportagem nas últimas semanas, a pré-candidatura de Maria da Consolação já vinha perdendo forças por falta de acordo interno. O partido vive um racha interno, que opõe uma ala mais próxima ao PT, ligada à deputada estadual Bella Gonçalves; e outra que defende uma maior independência da legenda em relação ao partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O bloco ligado a Maria da Consolação, uma das fundadoras do Psol em Minas Gerais, defende essa autonomia da legenda, mas hoje é minoritário dentro da estrutura partidária. 

Representantes da Rede, por outro lado, sempre ressaltaram que uma eventual candidatura de Maria da Consolação dependia de um acordo dentro do próprio Psol, agora descartado diante da convenção de domingo. 

Enquanto isso, os dois partidos mantêm conversas com Alexandre Kalil (PDT) e com a federação formada por PT, PCdoB e PV, representada por Patrus Ananias na corrida estadual.

Qualquer decisão, ao menos oficialmente, passará pela manutenção da candidatura de Áurea Carolina (Psol) ao Senado Federal.

Conversa recente e cancelamento

Na semana passada, houve um primeiro encontro entre representantes de Psol e Rede com o PT, representado na agenda por sua presidente estadual, a deputada Leninha, além de assessores. Não houve avanços na ocasião, mas, dentro do Psol, há a vontade de apoiar Patrus Ananias, enquanto a Rede ainda mantém Alexandre Kalil no páreo.

Também na semana passada, o ex-prefeito de BH se reuniria com integrantes de Psol e Rede, mas o encontro foi adiado. Nos bastidores, a versão é de que a conversa não aconteceu por problemas de agenda de Kalil.

Repórter de bastidores e orientado por dados de O Fator em Belo Horizonte, onde cobre política e mercado. Também é professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, onde leciona disciplina ligada ao jornalismo de dados. Trabalhou por sete anos no jornal Estado de Minas, onde foi repórter e coordenador de jornalismo de dados. Também trabalhou no caderno de política do jornal O TEMPO por dois anos. É master em Jornalismo de Dados, Automação e Data Storytelling pelo Insper.

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