A Rede Sustentabilidade analisa o nome do ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), como o mais competitivo da centro-esquerda e da esquerda para disputar o governo de Minas Gerais neste ano. Apesar disso, aguarda a confirmação do deputado federal Patrus Ananias como representante do PT no páreo para, depois, discutir o cenário com o Psol, com quem tem federação.
Como mostrou O Fator na quarta (15), o Psol já sinalizou apoio a Patrus em caso de eventual candidatura. O deputado federal conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta (16), mas a concretização ou não de sua participação na corrida só sairá após nova reunião com lideranças mineiras.
Enquanto isso, a federação entre Rede e Psol tem nova conversa marcada com o PDT de Kalil na semana que vem. Já aconteceram dois encontros entre as partes, mas a indefinição do PT trava avanços mais concretos.
Com os petistas, até o momento, só houve diálogos informais, sob condução do Psol, com o presidente da executiva nacional petista, Edinho Silva. No entanto, na divisão de espaços da federação em Minas, a Rede é majoritária, ainda que interlocutores garantam que qualquer decisão da federação será coletiva.
O peso dos debates
Fontes da Rede manifestam preocupação nos bastidores com o eventual desempenho de Patrus Ananias nos debates. Há um temor de que Kalil seja mais combativo para apresentar suas ideias, principalmente caso o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), conhecido por sua popularidade nas mídias sociais, decida se candidatar.
Apesar disso, interlocutores da Rede manifestam profundo respeito pela trajetória de Patrus Ananias, como parlamentar e ex-prefeito de BH. A avaliação é de que a demora do PT para definir seu candidato após a desistência do senador Rodrigo Pacheco (PSB) deixou o cenário caótico e prejudicou qualquer nome a ser escolhido daqui pra frente.
Ata aberta
A própria avaliação sobre apoio ou não a Patrus, caso ele seja realmente candidato, merece amadurecimento interno na federação entre Psol e Rede. Como o nome do deputado federal só surgiu nos últimos dias, ainda não houve análise conjunta sobre o quadro.
Por isso, há chances de que a convenção da federação, marcada para 26 de julho, às 11h, na Câmara de BH, termine sem um martelo batido sobre apoio para o governo de Minas — a chamada “ata aberta” no jargão político.
E a candidatura própria?
Pré-candidata ao governo de Minas, Maria da Consolação (Psol) ainda não está descartada, segundo interlocutores da Rede. O nome dela, no entanto, só entrará em discussão caso haja coesão entre os pessolistas.
Como já mostrou a reportagem, a divisão interna do Psol isolou o grupo de Maria da Consolação. Hoje, o comando da legenda está nas mãos da ala ligada à deputada estadual Bella Gonçalves, que se filiou ao PT para tentar uma vaga na Câmara Federal.
O entendimento da Rede é que só haverá debate sobre uma candidatura própria se o Psol colocar formalmente o nome de Maria da Consolação no tabuleiro. Até o momento, isso não aconteceu.
Prioridades
Seja qual for o rumo tomado, a Rede entende que as conversas partem de duas prioridades claras: a reeleição do presidente Lula e a pré-candidatura da ex-deputada Áurea Carolina (Psol) ao Senado Federal, como mostrou O Fator em junho.