Rede aguarda PT, mas vê Kalil como nome mais competitivo do que Patrus

Federação formada junto ao Psol pode deixar decisão para depois da convenção, marcada para acontecer em 26 de julho.
Alexandre Kalil de blusa de frio verde e mãos abertas
Kalil terá nova reunião com Rede e Psol na semana que vem. Foto: Amira Hissä.

A Rede Sustentabilidade analisa o nome do ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), como o mais competitivo da centro-esquerda e da esquerda para disputar o governo de Minas Gerais neste ano. Apesar disso, aguarda a confirmação do deputado federal Patrus Ananias como representante do PT no páreo para, depois, discutir o cenário com o Psol, com quem tem federação.

Como mostrou O Fator na quarta (15), o Psol já sinalizou apoio a Patrus em caso de eventual candidatura. O deputado federal conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta (16), mas a concretização ou não de sua participação na corrida só sairá após nova reunião com lideranças mineiras.

Enquanto isso, a federação entre Rede e Psol tem nova conversa marcada com o PDT de Kalil na semana que vem. Já aconteceram dois encontros entre as partes, mas a indefinição do PT trava avanços mais concretos.

Com os petistas, até o momento, só houve diálogos informais, sob condução do Psol, com o presidente da executiva nacional petista, Edinho Silva. No entanto, na divisão de espaços da federação em Minas, a Rede é majoritária, ainda que interlocutores garantam que qualquer decisão da federação será coletiva.

O peso dos debates

Fontes da Rede manifestam preocupação nos bastidores com o eventual desempenho de Patrus Ananias nos debates. Há um temor de que Kalil seja mais combativo para apresentar suas ideias, principalmente caso o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), conhecido por sua popularidade nas mídias sociais, decida se candidatar.

Apesar disso, interlocutores da Rede manifestam profundo respeito pela trajetória de Patrus Ananias, como parlamentar e ex-prefeito de BH. A avaliação é de que a demora do PT para definir seu candidato após a desistência do senador Rodrigo Pacheco (PSB) deixou o cenário caótico e prejudicou qualquer nome a ser escolhido daqui pra frente.

Ata aberta

A própria avaliação sobre apoio ou não a Patrus, caso ele seja realmente candidato, merece amadurecimento interno na federação entre Psol e Rede. Como o nome do deputado federal só surgiu nos últimos dias, ainda não houve análise conjunta sobre o quadro.

Por isso, há chances de que a convenção da federação, marcada para 26 de julho, às 11h, na Câmara de BH, termine sem um martelo batido sobre apoio para o governo de Minas — a chamada “ata aberta” no jargão político.

E a candidatura própria?

Pré-candidata ao governo de Minas, Maria da Consolação (Psol) ainda não está descartada, segundo interlocutores da Rede. O nome dela, no entanto, só entrará em discussão caso haja coesão entre os pessolistas.

Como já mostrou a reportagem, a divisão interna do Psol isolou o grupo de Maria da Consolação. Hoje, o comando da legenda está nas mãos da ala ligada à deputada estadual Bella Gonçalves, que se filiou ao PT para tentar uma vaga na Câmara Federal.

O entendimento da Rede é que só haverá debate sobre uma candidatura própria se o Psol colocar formalmente o nome de Maria da Consolação no tabuleiro. Até o momento, isso não aconteceu.

Prioridades

Seja qual for o rumo tomado, a Rede entende que as conversas partem de duas prioridades claras: a reeleição do presidente Lula e a pré-candidatura da ex-deputada Áurea Carolina (Psol) ao Senado Federal, como mostrou O Fator em junho.

Repórter de bastidores e orientado por dados de O Fator em Belo Horizonte, onde cobre política e mercado. Também é professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, onde leciona disciplina ligada ao jornalismo de dados. Trabalhou por sete anos no jornal Estado de Minas, onde foi repórter e coordenador de jornalismo de dados. Também trabalhou no caderno de política do jornal O TEMPO por dois anos. É master em Jornalismo de Dados, Automação e Data Storytelling pelo Insper.

Leia também:

TCE intima governo a explicar crédito suplementar de R$ 1,99 bilhão com recursos da venda da Copasa

PGR pede que STF derrube decisão do TJMG que manteve auxílio emergencial da Vale em Brumadinho

Simões reconhece ‘impasse’ entre Aro e Viana, mas diz que segue à espera de União e PP

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse