Caciques políticos da aliança encabeçada por Alexandre Kalil (PDT) ao governo de Minas Gerais, prefeitos e lideranças empresariais tentam as últimas cartadas para convencer o presidente nacional do PSDB, o deputado federal Aécio Neves, a concorrer ao Senado.
O Fator apurou que uma nova reunião entre tucanos está marcada para esta quarta-feira (26), quando Aécio deve ser novamente questionado sobre a possibilidade de entrar na disputa. Integrantes do partido ouvidos pela reportagem confirmaram a movimentação e esperam que o ex-governador reconsidere a decisão de ficar fora da eleição deste ano.
A movimentação começou desde o anúncio da candidatura de Gustavo Galassi, que é filiado ao PSDB. Segundo dirigentes tucanos, o partido passou a receber mensagens e ligações de prefeitos, ex-deputados e parlamentares pedindo que Aécio apareça nas urnas.
Os aliados citam o peso de Aécio, que acumula cerca de 40 anos de carreira política, com passagens pela Presidência da Câmara dos Deputados, pelo governo de Minas por dois mandatos, pelo Senado e pela disputa presidencial. Na avaliação desse grupo, o tucano poderia exercer um papel de interlocução e mediação no Legislativo Federal.
O entendimento é de que, em um eventual novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Aécio faria oposição e, caso Flávio Bolsonaro (PL) vença a eleição presidencial, poderia atuar como uma espécie de mediador entre diferentes campos políticos. O papel é comparado ao exercido por Rodrigo Pacheco (PSB).
Embora essa seja a vontade de aliados, há um elemento que pesa na decisão de Aécio. Aceitar uma candidatura ao Senado significa também, em caso de vitória, assumir um mandato de oito anos e se dedicar à atividade parlamentar durante esse período. Depois de quatro décadas de vida pública, o tucano demonstra, neste momento, estar mais interessado em assumir o papel de líder partidário e acumular menos funções para se concentrar no crescimento do PSDB em âmbito nacional.
De acordo com o que apurou a reportagem, correligionários do ex-governador têm se dedicado nos últimos dias a sondar agências e profissionais de publicidade para uma possível campanha a senador que, nas palavras de uma pessoa a par do tema, “mudaria o tabuleiro eleitoral no estado”.
Apesar da movimentação, não existe um marqueteiro contratado para uma eventual campanha. Há, no entanto, profissionais e empresas sendo sondados e pessoas se colocando à disposição.
O movimento também conta com a articulação de apoiadores fora do mundo político. Um dos exemplos citados pelos dirigentes é o empresário Pedro Lourenço, o Pedrinho BH, que levou Aécio ao Mineirão na terça-feira (25) para assistir ao jogo entre Cruzeiro e Atlético. O encontro também teria servido para reforçar o convencimento em torno da candidatura.
Chapa
A chapa composta por tucanos e pedetistas registrou como candidato ao Senado, além de Gustavo Galassi, o médico Marcelo Heringer (PDT). Para que Aécio entre no jogo, ao menos um deles teria de renunciar.
A legislação eleitoral determina que candidatos registrados podem renunciar da disputa e ser substituídos por nomes de seus respectivos partidos. O prazo de remanejamento das chapas estipulado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai até 20 dias antes das eleições, que em 2026 serão realizadas em 4 de outubro.