Agora dono de quase 5% da Copasa, Goldman Sachs tem acordo para avaliar outra estatal mineira

Banco norte-americano foi contratado pela Codemig para, a reboque de possível federalização, examinar ativos
Foto mostra fachada do Goldman Sachs
Goldman Sachs está no Brasil desde os anos 1990. Foto: Goldman Sachs/Divulgação

Agora dono de quase 5% das ações da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), o banco norte-americano Goldman Sachs já tem relação, ainda que de natureza distinta, com outra estatal mineira. A multinacional foi contratada pela Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) para produzir um laudo de avaliação da empresa. A Codemig planeja utilizar as conclusões obtidas pelo exame no âmbito das negociações relacionadas ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).

O acordo entre a Codemig e o Goldman Sachs foi assinado em maio e vem sendo acompanhado por O Fator. Embora o trato tenha validade até dezembro do ano que vem, a companhia norte-americana deve entregar o laudo no próximo mês.

Já as tratativas com a estatal de saneamento são mais recentes e remontam ao início desta semana. Na segunda-feira (15), os norte-americanos adquiriram fatia acionária que corresponde a 5% da empresa. Um dia depois, entretanto, negociaram parte dos papeis, passando a deter 4,64%.

Valuation

Esta não é a primeira vez que a Codemig recorre ao Goldman Sachs para examinar seu valor de mercado. Em 2022, a multinacional chegou a apontar que os dividendos da estatal mineira, cujo carro-chefe é a exploração de jazidas de nióbio, poderiam chegar a R$ 30 bilhões.

O extrato do novo contrato entre a Codemig e o Goldman Sachs não traz o valor exato da remuneração que será repassada ao serviço de consultoria. O teto do pagamento, entretanto, é de cerca de R$ 23,1 milhões. Pelo valuation feito em 2022, a empresa recebeu R$ 300 mil

O Propag permite aos estados a oferta de empresas locais à União como forma de abater parte das dívidas com o governo federal. O valor a ser amortizado com as federalizações, porém, será definido por meio de laudos supervisionados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). 

Em junho, a presidente da Codemig, Luísa Barreto, explicou que a contratação do Goldman Sachs serviria para que o estado não chegasse à mesa de negociações sem uma referência do montante possível de ser obtido com a federalização.

“Esse contrato (com o Goldman) é para que a gente tenha uma nova avaliação nossa. A gente entra em um processo de negociação com o governo federal em que está em discussão um ativo de bilhões. Seria irresponsável da nossa parte não ter uma avaliação, inclusive externa, para que a gente possa, efetivamente, ter certeza e segurança de que será apurado o valor mais justo para a companhia nesse processo de avaliação”, afirmou, a deputados estaduais.

Embora a entrega da Codemig seja cogitada pela equipe do governador Romeu Zema (Novo), mas ainda não há sinalização formal do Palácio do Planalto quanto a um eventual aceite à ideia. A primeira proposta, envolvendo o repasse de uma fatia minoritária da empresa, foi recusada pelo governo Lula (PT). Para o Tesouro Nacional, a incorporação de fatias minoritárias de empresas estaduais só pode acontecer caso haja presença na Bolsa de Valores, o que não é o caso da Codemig, que possui capital fechado.

Goldman Sachs e Copasa

O acordo fechado pelo Goldman Sachs para a compra de ações da Copasa foi informado ao mercado na terça-feira (16). Foram adquiridas cerca de 19,1 milhões de papéis da empresa de saneamento. 

Para chegar aos 5,04%, o banco vendeu 7,2 milhões de ações no mercado à vista, criando uma posição negativa de 1,9%. Paralelamente, tomou empréstimo de 10,7 milhões de ações (2,83% do capital) e comprou derivativos equivalentes a 15,6 milhões de ações (4,1%). 

Em um segundo momento, para viabilizar a redução, o Goldman fez operações para diminuir derivativos de sua propriedade. Com as transações, a empresa passou a ter direito a cerca de 17,6 milhões de títulos.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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