Goldman Sachs compra 5% das ações da Copasa 

Aquisição foi informada ao mercado na noite desta terça-feira (16)
Estação de tratamento da Copasa
Goldman Sachs agora possui 5,04% das ações da Copasa. Foto: Copasa/Divulgação

O banco norte-americano Goldman Sachs adquiriu 5,04% das ações da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). A transação foi oficializada pela estatal em comunicado enviado ao mercado na noite desta terça-feira (16). 

O Goldman comprou 19.146.747 ações da Copasa. A aquisição da fatia é um movimento minoritário, que não mexe no controle da companhia ou na estrutura administrativa.

No início do mês, o Fundo Perfin, que tem o BTG Pactual como sócio, 230 mil ações ordinárias, quantidade que elevou a participação total para mais de 19 milhões de papéis, o que representa 5,01% da empresa.

“A Companhia de Saneamento de Minas Gerais – COPASA MG (B3: CSMG3) comunica ao mercado que recebeu, nesta data, correspondência da Goldman Sachs & Co. LLC, informando que, em 15 de setembro de 2025, realizaram operações que resultaram em uma posição de derivativos com liquidação física equivalente a 19.146.747 ações, equivalente a 5,04% das ações da Companhia”, lê-se no comunicado desta terça. O documento é assinado por Adriano Rudek de Moura, diretor Financeiro e de Relações com Investidores da empresa de saneamento.

Ao informar o mercado sobre a transação, o Goldman Sachs disse não ter a intenção de aumentar a participação na Copasa.

“Atualmente, as Entidades Goldman não visam adquirir outras ações da Companhia. As Entidades Goldman, ou quaisquer de suas afiliadas ou controladas, não detém, direta e/ou indiretamente, debêntures conversíveis de emissão da Companhia, bem como não fazem parte de nenhum contrato ou acordo dispondo sobre direito de voto ou sobre a compra e venda de valores mobiliários de emissão da Companhia”, pontuou a investidora.

Privatização na mira

O governo de Romeu Zema (Novo) deseja vender, à iniciativa privada, as ações que Minas Gerais possui na Copasa. O estado espera arrecadar R$ 4 bilhões com a transação. Na semana passada, o projeto de lei enviado à Assembleia Legislativa (ALMG) em prol da autorização à venda recebeu um substitutivo. Agora, o projeto vincula os recursos da desestatização ao abatimento de parte da dívida do estado com a União, no âmbito do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).

Embora a proposição que aborda especificamente a venda da Copasa ainda não tenha sido analisada por nenhuma comissão da Assembleia, o comitê de Constituição e Justiça já deu aval à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que retira a necessidade de referendo popular para obter sinal verde à negociação. A PEC também “carimba” o dinheiro da transação, obrigando a utilização das cifras na amortização do passivo junto ao governo federal.

A operação do Goldman Sachs

O Goldman Sachs estruturou a participação na Copasa usando diferentes tipos de papéis financeiros.O banco vendeu 7,2 milhões de ações no mercado à vista, criando uma posição negativa de 1,9%.

Paralelamente, a empresa norte-americana tomou empréstimo de 10,7 milhões de ações (2,83% do capital) e comprou derivativos equivalentes a 15,6 milhões de ações (4,1%). Assim, a participação de 5,04% tomou forma.

O banco também mantém contratos derivativos que representam outras 3,9 milhões de ações (1,04%), mas estes são liquidados apenas em dinheiro, sem entrega de títulos.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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