As alternativas avaliadas pela PBH para retomar atividades náuticas na Lagoa da Pampulha

Legislação atual impede uso do espelho d’água e construção de abrigo para embarcações; preservação ambiental também preocupa
Lagoa da Pampulha
Lagoa da Pampulha. Foto: Karoline Barreto/CMBH

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) avalia se a retomada das atividades náuticas na Lagoa da Pampulha dependerá de ato administrativo, como um decreto, ou se será necessário, também, alterar a legislação municipal vigente. A dúvida jurídica gira, especialmente, em torno da Lei nº 1.523, de 1968, que impõe restrições ao uso do espelho d’água e das margens do principal cartão-postal da capital.

A discussão ocorre em meio a uma disputa política entre a PBH e o governo de Minas Gerais pela condução do projeto de embarcação turística no local.

Na semana passada, o Executivo municipal impediu a navegação planejada pelo Estado, prevista para começar entre dezembro e janeiro, com investimento estimado em R$ 1 milhão. Paralelamente, a Prefeitura abriu licitação para alugar barcos e realizar testes entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026.

Segundo interlocutores ouvidos por O Fator, embora o artigo 1º da lei de 1968 autorize a PBH a liberar o uso das águas mediante autorização expressa, o que poderia ser feito por meio de decreto, o artigo 6º veda a construção de embarcadouros, trampolins e abrigos para barcos em toda a orla.

Por isso, o poder público também teria de encaminhar um projeto de lei à Câmara Municipal caso pretenda autorizar estruturas fixas de apoio à navegação.

Uma proposição do vereador José Ferreira (Podemos) tramita na Casa. No entanto, ela não diz respeito às estruturas proibidas.

Em nota, a PBH informou que o formato administrativo ou legislativo mais adequado ainda está em estudo.

Grupo de Trabalho vai mapear legislação

O tema é conduzido por um Grupo de Trabalho (GT) criado pela Portaria Conjunta nº 001/2025, que reúne representantes de 11 secretarias e órgãos municipais, entre eles a Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur), a Secretaria de Meio Ambiente e a Fundação Municipal de Cultura.

Segundo a prefeitura, o grupo iniciou reuniões em junho de 2025 para mapear a legislação aplicável, identificar referências em outras cidades e definir critérios técnicos sobre segurança, preservação ambiental e proteção do patrimônio cultural.

Em julho, o GT começou a dialogar com órgãos externos, como a Marinha, o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) e as federações mineiras de Canoagem e Vela, que auxiliam na formulação de diretrizes e parâmetros técnicos.

De acordo com a nota, as equipes, agora, elaboram pareceres e estudos setoriais que vão subsidiar a regulamentação do uso da lagoa, incluindo o tipo de embarcação permitida, áreas de navegação, proteção ambiental e do patrimônio cultural e planos de segurança. As conclusões, segundo o município, serão divulgadas conforme o avanço dos trabalhos.

Qualidade da água

A qualidade da água também é fator decisivo para a retomada das atividades náuticas. Dados apresentados em audiência pública realizada por deputados do Novo na segunda-feira (10) apontam que a lagoa é imprópria para uso. Embora sejam do mesmo partido do governador Romeu Zema, eles são, eles são contra a abertura imediata do espelho d’água para navegação.

Relatório da startup Infinito Mare aponta a permanência da poluição no reservatório, apesar de programas anteriores de despoluição. O documento diz, ainda, que há presença de metais dissolvidos, poluentes orgânicos e alta carga de nutrientes, com florações de cianobactérias e assoreamento.

Tatiana Moraes é jornalista especialista em comunicação estratégica, com MBAs em Gestão de Negócios e Comunicação Eleitoral e Marketing Político. Foi repórter dos jornais Hoje em Dia e Diário do Comércio e atuou como diretora de Comunicação da AMM e assessora-chefe de Comunicação da Secretaria de Estado de Governo (Segov).

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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