Cemig e sindicatos firmam acordo de R$ 1,25 bilhão para novo plano de saúde

O entendimento encerra longo processo de negociação e estabelece as bases para substituição do ProSaúde Integrado (PSI)
O funcionamento do plano ficará sob supervisão de Comitê Gestor. Foto: Guilherme Dardanhan/ALMG

A Cemig concluiu, nesta sexta-feira (12), negociação com o Sindicato dos Eletricitários do Sul de Minas Gerais (Sindsul) e a Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas de Minas Gerais (Fitemg) para criar novo modelo de plano de saúde destinado a empregados, aposentados e pensionistas. O acordo prevê indenização de até R$ 1,25 bilhão e foi protocolado no Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região para homologação.

O entendimento encerra longo processo de negociação e estabelece as bases para substituição do ProSaúde Integrado (PSI). A proposta partiu das entidades sindicais e recebeu aceite da companhia energética.

A indenização compensatória será paga em seis parcelas até 2030, considerando aposentados e pensionistas titulares inscritos no PSI em fevereiro de 2025. O montante será aplicado exclusivamente na manutenção do novo plano, que entra em funcionamento em 1º de janeiro de 2026.

Modalidades de cobertura

O novo modelo estabelece três categorias de beneficiários em condições diferentes:

  • Os empregados ativos migram para o Plano Premium com custeio integral das mensalidades do titular e dependentes diretos – cônjuge e filhos até 24 anos. Estes beneficiários ficam responsáveis apenas pelos valores de coparticipação nos atendimentos.
  • Empregados em processo de aposentadoria que se desligarem até 31 de dezembro de 2027 terão tratamento especial. Aqueles com pelo menos 25 anos de vínculo com a Cemig e que estejam aposentados pelo INSS ou tenham adquirido condições para aposentadoria pelo Regime Geral até o fim de 2027 receberão custeio integral do Plano Premium por 36 meses após deixarem a ativa.
  • Aposentados, ex-empregados e pensionistas serão contemplados com novo plano estruturado pela Cemig Saúde, financiado pelos recursos da indenização compensatória.

Gestão independente

O funcionamento do plano ficará sob supervisão de Comitê Gestor formado por representantes da Cemig Saúde e das entidades dos beneficiários, sem participação da Cemig. O colegiado administrará os recursos, monitorará a sustentabilidade financeira, avaliará a rede credenciada e promoverá auditorias independentes.

O comitê terá maioria de membros indicados pelos beneficiários e definirá as características operacionais do novo plano. A proposta permanece aberta para adesão de outras entidades e beneficiários não vinculados às organizações signatárias.

Enquanto aguarda homologação judicial, o PSI continua operando sob as regras atuais. A companhia reafirmou o compromisso de manter acionistas e mercado informados sobre os desdobramentos do processo.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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