Cemig Saúde vai recorrer de decisão judicial que barrou absorção de servidores do BDMG em plano médico

Sentença foi proferida no início deste mês pela 2ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias de BH
Fachada da Cemig
Ampliação do rol de beneficiários da Cemig Saúde está na Justiça. Foto: Guilherme Dardanhan/ALMG

A Justiça proibiu a entrada de servidores do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) no rol de beneficiários do Cemig Saúde, plano de assistência médica oferecido a trabalhadores e dependentes ligados à Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). A decisão, tomada em caráter liminar, é de 9 de maio. Nesta terça-feira (20), a Cemig Saúde informou a O Fator que pretende recorrer.

A sentença que veda a entrada dos funcionários do BDMG na Cemig Saúde foi proferida pela 2ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias da Comarca de Belo Horizonte, após ação ajuizada por sindicatos como a Associação dos Beneficiários de Participantes da Cemig Saúde e Forluz (ABCF) e o Sindieletro, que representa eletricitários atuantes na estatal.

“Porquanto, a migração de milhares de beneficiários de um plano para outro, sem as garantias mínimas exigidas pelo ordenamento técnico e jurídico, implica em risco concreto à estabilidade atuarial da operadora, à solvência do sistema e, sobretudo, à continuidade da prestação de serviços de saúde aos beneficiários da autogestão, vulnerando direitos fundamentais de ordem coletiva e individual homogênea”, diz, em trecho de sua decisão, o juiz Wenderson de Souza Lima.

O acordo entre a Cemig Saúde e a Fundação BDMG de Seguridade Social previa a inserção de funcionários do banco no rol de cidadãos contemplados com uma das modalidades do plano de saúde, batizada de Atenção Família Plus.

“Reforçamos que a decisão é liminar, ou seja, possui caráter temporário, e a Cemig Saúde tomará as medidas legais cabíveis para assegurar a continuidade do processo de migração dos beneficiários, sempre pautada no cumprimento das normas regulatórias e no compromisso com a assistência à saúde dos trabalhadores envolvidos”, pontuou a Cemig Saúde, ao confirmar o recurso.

Ao pedir a concessão da medida cautelar que suspende a migração dos servidores do BDMG rumo ao Cemig Saúde, os sindicatos ligados aos trabalhadores da energética dizem que os beneficiários não foram previamente consultados pelas operadoras. O entendimento é que seria preciso promover uma reunião do conselho deliberativo da Cemig Saúde para tratar do tema.

O BDMG também foi procurado pela reportagem, mas não retornou ao pedido de informação. O espaço segue aberto.

Ano conturbado

Os primeiros meses de 2025 têm sido marcados por embates na relação entre a direção da Cemig Saúde e os sindicatos. Beneficiários demonstraram incômodo com a decisão da operadora de aumentar em 60,5% as mensalidades do Plano de Saúde Pós-Emprego (PSI). O reajuste acabou suspenso em março.

No início do mês, a Cemig apresentou uma nova proposta de apoio aos planos de saúde voltados aos aposentados.

Os principais pontos do novo modelo, que ainda precisa ser aceito, são:

  • Renda até R$ 2 mil: Cemig cobre 100% da diferença da mensalidade entre o novo plano e o antigo (tabela 2024, antes do reajuste), com proteção vitalícia;
  • Renda até R$ 5 mil: Cobertura integral da diferença por 15 anos;
  • Renda entre R$ 5 mil e R$ 7 mil: Proteção de 100% até R$ 5.000 e de 50% sobre a parcela entre R$ 5.000 e R$ 7.000, válida por 10 anos.;
  • Renda acima de R$ 7 mil: Cobertura da Cemig sobre o valor da mensalidade que superar 25% da renda declarada do titular, por 10 anos.

O valor do complemento pago pela Cemig será fixado no primeiro ano e reajustado anualmente pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor).

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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