Com carta de fiança de R$ 7 bi, MG define regras para interessados em apresentar ofertas para a privatização da Copasa

Arcabouço, que inclui modelo de acordo de acionistas, foi disponibilizado nesta quinta-feira (23)
Barramento da Copasa
Governo de Minas divulgou documentos preparatórios nesta quinta (23). Foto: Copasa/Divulgação

Acionista majoritário da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), o governo do estado publicou, nesta quinta-feira (23), os documentos da etapa prévia à oferta pública para a privatização da empresa. O arcabouço inclui o manual para os interessados em participar do estágio, que vai prospectar os grupos capazes de ocupar o papel de investidor de referência. Também foram disponibilizados o modelo do novo acordo de acionistas, o termo de não concorrência e o acordo de restrição à transferência de ações.

Um dos principais pontos da documentação é a exigência de uma carta de fiança de no mínimo R$ 7 bilhões por parte dos que se dispuserem a concorrer pelo posto de investidor de referência. O compromisso formal precisará ser emitido por um banco comercial de investimento autorizado a funcionar no Brasil, tendo, como favorecido, o governo de Minas, na condição de acionista vendedor.

O modelo de privatização desenhado pelo Executivo estadual prevê, como caminho prioritário, a entrega de 30% dos 50,03% detidos pelo poder público ao já citado parceiro de de referência. Outros 15% serão disponibilizados para disputa fracionada no mercado, com o Palácio Tiradentes mantendo 5%. 

Investidores interessados em adquirir a fatia de 30% deverão se cadastrar junto à Bolsa de Valores de São Paulo, a B3. O período para a submissão dos documentos necessários para esse estágio começará nesta quinta-feira (24), às 9h, e terminará às 18h de 8 de maio. O cadastramento poderá ser individual ou na forma de consórcios. Apenas quem tiver a documentação aprovada pela B3 poderá, efetivamente, apresentar seus lances.

Antes da CVM

Na prática, a etapa prévia antecede o registro da oferta na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e, consequentemente, o lançamento da proposta ao mercado. 

“Os documentos e informações apresentados pelos Investidores Profissionais Interessados durante a etapa Prévia não constituem, em qualquer hipótese, uma coleta de intenções de investimento ou proposta para aquisição de ações de emissão da Companhia, e este Manual ou a participação dos Investidores profissionais interessados na etapa prévia não corresponde a uma oferta para subscrever ou comprar quaisquer valores mobiliários, incluindo ações de emissão da Companhia, e nem constitui uma oferta ou venda de valores mobiliários no Brasil ou em qualquer outra jurisdição fora do Brasil”, lê-se em trecho do manual lançado pelo Palácio Tiradentes.

Grupos nacionais devem polarizar

Como O Fator já mostrou, a corrida pelos 30% deve ser polarizada por grupos nacionais. Fontes a par do cenário indicam que a Aegea e a Sabesp, em consórcio com sua controladora, a Equatorial, são as favoritas. O Grupo Águas corre por fora.

Maior acionista privado da Copasa, com 15,25% do capital, a Perfin não pretende participar do embate pelo posto de parceiro de referência. A intenção da empresa é ampliar o capital por meio da aquisição de uma parcela dos outros 15% que serão levados ao mercado.

Embora o acordo com um parceiro de referência com know-how no setor de saneamento seja tido como muito provável, a modelagem aprovada pela Copasa prevê um segundo caminho. Tal opção autoriza o estado a negociar até a totalidade de seus papéis, em percurso que transformaria a empresa em uma corporation.

Aval do TCE

Na semana passada, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) deu aval à continuidade dos atos preparatórios para a privatização, mas brecou a eventual concretização da negociação. A etapa prévia consta na lista de ritos que podem ser seguidos neste momento.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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