A distância física em relação a Minas Gerais, as dificuldades em compreender as dinâmicas de uma disputa eleitoral travada sobretudo no ambiente digital e o acirramento da polarização entre PT e PL são, segundo aliados do deputado federal Aécio Neves (PSDB), as respostas para a derrota dele na disputa pelo Senado Federal.
Aécio, que entrou no páreo depois do início da corrida, por meio da renúncia do colega de partido Gustavo Galassi, amargou a sétima posição, com apenas 4,08% dos votos válidos. O percentual, mais de cinco pontos percentuais distante do sexto colocado, Marco Antônio Superman (Novo), corresponde a 836,5 mil eleitores.
Tucanos receberam o revés como uma mensagem de que o partido precisará se reinventar para retomar o protagonismo que teve nos anos 2000 em Minas Gerais.
Ao tratar do crescimento de PL e PT, que aumentaram suas bancadas na Câmara e elegeram Domingos Sávio e Marília Campos senadores por Minas, componentes do PSDB pontuam que o movimento achatou o centro político, reduzindo o espaço de lideranças do estilo de Aécio.
Sobre o distanciamento de Minas, correligionários avaliam que o ex-governador se afastou excessivamente do interior em anos passados. Como O Fator mostrou, 75% das passagens aéreas da Câmara usadas pelo deputado nos últimos cinco anos começaram e terminaram fora do estado.
Outro aspecto apontado por aliados tem relação com a ausência de uma renovação de quadros no PSDB. A avaliação é de que alguns dos principais dirigentes da legenda ainda não absorveram, por exemplo, o papel das redes sociais nas campanhas eleitorais.
Ainda nesse cenário, a tese é que, enquanto nomes da direita, como o governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos) e o deputado federal reeleito Nikolas Ferreira (PL), acumularam expressivo capital eleitoral a partir da internet, no PSDB faltam lideranças jovens com influência no ambiente digital.