Controladorias de estados e municípios ganham régua nacional para medir a prevenção à corrupção

Modelo lançado pelo Conaci classifica os órgãos de controle interno em níveis e avalia áreas, da transparência à punição
O lançamento foi feito no XXII Encontro Nacional de Controle Interno, em Belo Horizonte. Foto: Divulgação

As controladorias de estados e municípios passam a contar com um modelo comum para medir se estão preparadas para prevenir irregularidades. O Conselho Nacional de Controle Interno (Conaci) lançou o Modelo de Maturidade das Unidades Centrais de Controle Interno (Mucci), que classifica esses órgãos em cinco níveis, do “inicial” ao “referência”. O lançamento foi feito no XXII Encontro Nacional de Controle Interno, em Belo Horizonte. O material já está disponível para consulta e download no site do conselho.

O modelo avalia seis áreas: transparência, ouvidoria, integridade, apoio à gestão em controles internos, auditoria interna e correição, que é a apuração e punição de irregularidades cometidas por servidores. O objetivo é que as controladorias deixem de atuar só depois que o problema aparece e passem a identificar riscos com antecedência.

Sem padrão nacional

Segundo o Conaci, as unidades de controle interno no país funcionam hoje com estruturas, orçamentos e equipes técnicas diferentes. Muitas vezes, têm até entendimentos diferentes sobre qual é o seu papel. Como não há um referencial comum, o desenvolvimento dessas funções é desigual entre estados e municípios.

O Mucci foi elaborado a partir de um diagnóstico nacional com 963 respostas de tribunais de contas, Ministérios Públicos, controladores e representantes da sociedade civil.

Para o 2º vice-presidente do Conaci, Paulo Farias, o modelo mede se as estruturas de controle funcionam na prática. “Ele não pergunta se o ente ‘tem’ um programa de integridade no papel. Pergunta se esse programa antecipa riscos, se articula com as outras funções de controle e se produz resultado observável”, afirma.

Farias diz que o erro mais comum é tratar o combate à corrupção como tarefa de um único setor. Segundo ele, o modelo organiza as seis frentes de forma integrada “em vez de deixar a prevenção depender apenas da vontade de uma gestão específica”.

Os cinco níveis

O modelo define cinco estágios de evolução:

  • Inicial: a controladoria conhece a própria realidade.
  • Fundamental: reage aos problemas.
  • Desenvolvido: atua para prevenir irregularidades.
  • Consolidado: antecipa riscos.
  • Referência: inova e gera resultados para a administração.

Para avançar entre os níveis, a controladoria deve identificar em que estágio está, fazer um diagnóstico, elaborar um plano de evolução e acompanhar os resultados. Nas palavras do conselho, “maturidade não é tempo de existência, quantidade de documentos ou esforço declarado. É capacidade demonstrada, institucionalizada e sustentável”.

Os referenciais do Mucci estão disponíveis em conaci.org.br/mucci.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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