Cúpula do PT rechaça possibilidade de aliança com Aécio em Minas

Declarações da pré-candidata ao Senado Marília Campos repercutem entre dirigentes, que tratam como improvável a presença do tucano
ireção do PT rejeita dividir palanque com Aécio em eventual apoio a Pacheco. Foto: Divulgação / Redes Sociais

A possibilidade de o PT dividir palanque com o deputado federal Aécio Neves (PSDB) em uma eventual aliança em torno da candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSB) ao governo de Minas Gerais não encontra respaldo entre integrantes da direção nacional do partido.

Integrante do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) do PT, a secretária nacional de Planejamento e Finanças da legenda, Gleide Andrade, afirmou a O Fator que não há qualquer discussão interna sobre uma composição que inclua o tucano.

Segundo ela, os projetos políticos das duas forças são incompatíveis.

“Não existe essa discussão no GTE nacional. Aliás, nunca existiu qualquer debate sobre aliança com Aécio Neves. Não vejo possibilidade de ele estar no mesmo palanque que o nosso por razões claras que nos distinguem bem. Aliás, ontem ele (Aécio) lançou Ciro Gomes à Presidência da República”, afirmou.

A hipótese de aproximação passou a repercutir internamente após declarações da ex-prefeita de Contagem Marília Campos, pré-candidata do PT ao Senado. Na segunda-feira (13), durante um evento com militantes do partido em Belo Horizonte, ela não descartou completamente a presença do tucano em uma eventual composição mais ampla.

Questionada sobre a possibilidade de Aécio integrar uma chapa majoritária, a petista afirmou que a escolha do segundo nome da chapa ao Senado e do candidato a vice caberá ao eventual postulante ao governo de Minas.

“O Aécio já teve uma importante atuação no governo do estado, foi um bom governador, e essa é a memória que a gente tem. Teve as suas derrapadas, mas nada como um momento eleitoral para reconstruir novos alinhamentos políticos”, falou.

“Tenho deixado essa questão do segundo nome, da vice, para que o nosso candidato ao governo de Minas defina qual é o melhor leque de alianças para fortalecer a chapa”, completou.

Outros dirigentes ouvidos sob reservas pela reportagem corroboram a avaliação de que a presença do presidente nacional tucano em um palanque que tenha o PT é considerada politicamente improvável, sobretudo pelo histórico de confrontos entre as siglas em Minas e no plano nacional.

Caminho do meio

Entretanto, conforme noticiado por O Fator, setores do PT mineiro avaliam que o PSDB poderia lançar uma chapa independente, tendo Aécio como candidato ao Senado e concorrentes à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

A hipótese abriria brecha para que Aécio caminhe ao lado de Pacheco sem se vincular diretamente à campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O modelo seria semelhante ao adotado nas eleições de 2008, quando tucanos e petistas se uniram em apoio à candidatura de Marcio Lacerda, do PSB, à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH).

Assim, o eventual endosso dos tucanos a uma candidatura de Pacheco ao governo não dependeria necessariamente da participação em uma coligação formal.

Velhas rusgas

A possibilidade de aproximação também encontrou forte resistência em outros setores do PT mineiro. Pelas redes sociais, o deputado federal Rogério Correia criticou qualquer tentativa de reaproximação com o tucano.

“Quem descarta Aécio Neves é Minas, quebrou o estado. No caso do PT o veto é pelo golpe que costurou com Eduardo Cunha e Michel Temer contra Dilma e a democracia”, escreveu.

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