A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) cobra de dois ex-servidores, Neif Chala e Olivan Rodrigues Silva Júnior, uma dívida de quase R$ 100 milhões. A fundação deu aos antigos coordenadores dez dias, contados do recebimento das notificações, para ressarcir os cofres públicos após a reprovação integral das contas. Os editais com as cobranças foram publicados no último sábado (17).
Os dois eram os coordenadores e responsáveis financeiros pelo termo celebrado entre a Fapemig e a então Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SECTES).
Entre as despesas financiadas com esses recursos está uma reforma de R$ 2,27 milhões no Espaço EcoCidadania, imóvel particular utilizado parcialmente pela Fundação Hidroex, localizada no município de Frutal, no Triângulo Mineiro.
O movimento da Fapemig encerra a fase interna da Tomada de Contas. Cada um dos ex-servidores recebeu uma notificação pelo mesmo débito de R$ 91.210.596,87 — montante cujo pagamento pode ser parcelado. Os editais, porém, não esclarecem se a responsabilidade pelo ressarcimento é solidária.
Caso não efetuem o pagamento, a fundação encaminhará o processo ao Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) para julgamento.
Outras frentes
A cobrança reúne personagens controversos, com trajetórias na secretaria em diferentes gestões.
Neif foi investigado na Operação Aequalis, que atingiu a administração do ex-secretário Nárcio Rodrigues. Olivan também atuou sob o comando de Miguel Corrêa Júnior, no governo Fernando Pimentel (PT), e foi alvo de uma punição administrativa e de uma ação de improbidade relacionadas a outro projeto da pasta.
Olivan já havia aparecido em duas reportagens de O Fator sobre sua atuação na secretaria. Em agosto de 2024, ele figurou entre os réus de uma ação de improbidade movida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) contra Miguel Corrêa e outros gestores, por supostas irregularidades no Programa Minas Digital.
O caso envolve um termo firmado em novembro de 2015, com previsão de R$ 52,2 milhões para concessão de bolsas. O Ministério Público apontou suposto prejuízo de R$ 10,76 milhões, com acusações de falta de comprovação de resultados, prorrogações irregulares e contratação de bolsistas para atividades administrativas sem processo seletivo.
Já em Em junho de 2025, O Fator noticiou a punição de demissão aplicada pela Controladoria-Geral do Estado a Olivan e ao ex-chefe de gabinete Marcelo Antônio Ferreira Velloso, após processo administrativo disciplinar do caso.
Neif, por sua vez, foi preso em 2016 na Aequalis e posteriormente libertado por habeas corpus. A operação investigou suspeitas de desvios de recursos da Hidroex no projeto Cidade das Águas, em Frutal, no Triângulo Mineiro, durante a gestão de Nárcio Rodrigues.