A criação de uma frente parlamentar contra projetos de lei tidos como “caça-like” causou mal-estar nos bastidores da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH). A coalizão, anunciada nessa terça-feira (10), será composta por nove vereadores, A avaliação de parlamentares contrários à premissa do novo grupo é que não cabe aos integrantes do Legislativo lançar movimentos para romper com os debates ideológicos que ocorrem na Casa.
A frente, batizada “Voz de BH”, terá a participação de Loíde Gonçalves (MDB), Marcela Trópia (Novo), Juninho Los Hermanos (Avante), Irlan Melo (Republicanos), Helinho da Farmácia (PSD), Cleiton Xavier (MDB), Lucas Ganem (Podemos), Arruda (Republicanos) e Maninho Félix (PSD).
Segundo apurou O Fator, a iniciativa contra os projetos “caça-like” motivou, inclusive, um debate no grupo de WhatsApp que reúne os vereadores de BH. Parlamentares aproveitaram o fórum de mensagens para criticar o lançamento da frente.
Os ecos da frente contra os projetos “caça-like” já ganharam publicidade. Nesta quarta-feira (11), a vereadora Janaína Cardoso (União Brasil) emitiu uma nota para criticar a criação do grupo.
“Chamar de ‘caça-like’ projetos que salvam vidas, denunciam injustiças ou dão visibilidade a demandas esquecidas é uma forma covarde de deslegitimar mandatos atuantes e conectados com a sociedade civil. Esse tipo de patrulhamento institucional não tem outro nome: é censura disfarçada de bom senso, é resistência à mudança, é medo da política feita com coragem, com alma e com compromisso”, afirmou.
Vereadores que compõem a nova aliança, por sua vez, dizem que a coalizão nasceu para dar impulso a debates legislativos que tratem de temas como saúde, mobilidade, segurança, educação e moradia.
“Chega de projetos ‘caça-like’ que só servem pra gerar polêmica e barulho nas redes sociais. A cidade está suja, com trânsito caótico, repleta de filas nos postos e insegurança. Não dá para a Câmara virar palco de disputas puramente ideológicas, enquanto o cidadão está esperando soluções concretas”, pontuou Marcela Trópia.
Recordar é viver
Em 2017, poucos meses após a posse dos vereadores que exerceram mandatos no quadriênio que terminou em 2020, seis parlamentares lançaram uma iniciativa parecida, batizada de Frente de Ideias. O grupo tinha nomes como Gabriel Azevedo, hoje no MDB, Mateus Simões (Novo) e Doorgal Andrada, hoje filiado ao PRD.
Em junho daquele ano, Azevedo, Simões e Doorgal publicaram um artigo no jornal “Hoje em Dia” justificando a criação da coalizão.
“A Frente de Ideias é resultado de muita conversa e observações que fizemos nestes seis primeiros meses de mandato na Câmara Municipal de BH. Neste período percebemos que há um grande espaço para atuar politicamente de forma proativa e eficiente pela transformação de nossa capital em uma cidade moderna, inclusiva e sustentável. Nossa obrigação, como detentores de um mandato, é ocupar e usar esse espaço em favor da população que representamos”, escreveram, à ocasião.
