Nova secretária de Fazenda de MG deve dar peso à área fiscal e diminuir espaço de decisões políticas

Substituta de Luiz Cláudio Gomes, Luciana Mundim é vista como quadro técnico e terá desafio de reduzir tensões internas
A Cidade Administrativa de Minas
Luciana Mundim vai substituir Luiz Cláudio Gomes à frente da Fazenda estadual. Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG

A troca no comando da Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais (SEF) pode levar a pasta para um perfil ainda mais técnico em um ano eleitoral — quando, tradicionalmente, há aumento da demanda por articulação política. Demitido, Luiz Cláudio Gomes dará lugar a Luciana Mundim, que desde 2024 atuava como secretária adjunta.

Nos bastidores, a avaliação é de que a escolha de Mundim tende a consolidar um modelo de condução centrado na área fiscal, com menor espaço para decisões fora do campo técnico dentro da secretaria. Para pessoas do Executivo estadual ouvidas por O Fator, a nomeação do ex-subsecretário do Tesouro Estadual, Fábio Amaral, para suceder a nova secretária como adjunto da pasta reforça a ideia de dar peso ao setor de gestão fiscal.

A preocupação de integrantes do governo que atuam na articulação do Executivo com outros Poderes e categorias de classe é sobre até que ponto haverá espaço para decisões fora do campo técnico. Isso porque a leitura é de que a dimensão política, que já tinha presença limitada na condução da área econômica ao longo do governo, tende a se afastar ainda mais da Fazenda

Mundim chega ao cargo com trajetória no direito tributário. Antes de assumir, em 2024, a função de adjunta da pasta, trabalhou na Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

Já Amaral estava à frente da subsecretaria do Tesouro Estadual desde 2019 e construiu carreira ligada à gestão de caixa, planejamento e execução orçamentária, com passagem pela área fiscal do Rio de Janeiro e pelo Rioprevidência.

Uma outra fonte ouvida pela reportagem afirma que o novo desenho da Fazenda pode funcionar se for respeitada a separação clara de funções entre as secretarias. Nesse arranjo, a Secretaria de Governo (Segov) e a Casa Civil (SCC), além do próprio gabinete do governador, concentrariam as negociações, enquanto a Fazenda ficaria responsável pela formulação técnica. 

Esse modelo, segundo a fonte, poderia reduzir pontos de atrito e centralizar a construção de acordos fora da SEF. 

Perda de força

Como O Fator antecipou, o estopim para a saída de Luiz Cláudio Gomes foi a decisão dele de exonerar cinco servidores que atuavam na corregedoria da Fazenda. A demissão do grupo, liderado por José Henrique Righi Rodrigues, foi oficializada na sexta-feira (17), mas revertida no domingo (18). 

O desligamento do quinteto ocorreu sem aviso prévio a Simões. O fato incomodou o chefe do Executivo, que, então, decidiu pela troca na Fazenda.

A reversão das demissões, a propósito, já havia dado, a integrantes do arcabouço fazendário estadual, a percepção de que a força de Gomes para conduzir a força estava se esvaindo.

Distensionamento gradual 

No cargo máximo da Fazenda estadual desde fevereiro do ano retrasado, Luiz Cláudio Gomes acumulou desgastes com servidores. A gestão dele era reprovada por sindicatos, que pressionavam por revisões salariais e se queixavam da ausência de diálogo. No ano passado, houve paralisações e a afixação, nas dependências da pasta, de cartazes em tom de protesto, acusando-no de “omissão” e apontando suposto “desmonte” da Receita Estadual.

A posse de Luciana Mundim, nesse contexto, é entendida como um movimento que pode reabrir as pontes de diálogo entre a cúpula da pasta e o funcionalismo.

Tatiana Moraes é jornalista especialista em comunicação estratégica, com MBAs em Gestão de Negócios e Comunicação Eleitoral e Marketing Político. Foi repórter dos jornais Hoje em Dia e Diário do Comércio e atuou como diretora de Comunicação da AMM e assessora-chefe de Comunicação da Secretaria de Estado de Governo (Segov).

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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