Governo federal reconhece R$ 6,6 milhões em retroativos a Dilma por perseguição na ditadura

Valor considera parcelas e diferenças desde 1997; quantias já recebidas serão descontadas.
Montante ainda terá abatimento de quantias pagas anteriormente à ex-presidente. Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania fixou em R$ 17.562,80 a reparação econômica mensal devida à ex-presidente Dilma Rousseff (PT) como anistiada política e reconheceu R$ 6,6 milhões em parcelas retroativas e diferenças.

Publicada nesta terça-feira (27), a portaria determina que sejam descontados do montante os valores já recebidos por Dilma, mas não informa quanto resta a pagar.

Assinado pela ministra Janine Mello, o ato cumpre uma decisão judicial e altera uma portaria de agosto de 2025. A reparação mensal tem caráter indenizatório e será paga, segundo o texto, de forma permanente e continuada.

Para definir o valor, o ministério tomou como referência o salário médio de profissionais da antiga Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul, conforme o plano de cargos e salários da instituição.

Dilma trabalhou como estagiária na fundação em 1975 e, anos depois, voltou para presidi-la, entre 1991 e 1993.

A portaria determina que as parcelas retroativas e as diferenças devidas sejam calculadas a partir de 21 de outubro de 1997.

Em sua juventude, a ex-presidente da República militou em organizações de esquerda que combatiam a ditadura militar e foi presa em 1970, aos 22 anos.

Durante os quase três anos em que esteve detida, foi submetida a tortura e respondeu a inquéritos em órgãos militares de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Em maio de 2025, a Comissão de Anistia reconheceu sua condição de anistiada política e pediu desculpas, em nome do Estado brasileiro, pela perseguição e pelas violações sofridas por ela durante o regime.

Guilherme Jorgui é jornalista e tem especialização em comportamento eleitoral, opinião pública e marketing político (UFMG).

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