Governo Zema não tem balanço de obras do Novo PAC

‘Diário Oficial’ publicou 1.173 obras em Minas, mas governo estadual não mantém balanço para poder cobrar
Romeu Zema e Lula no Minascentro
Zema e Lula no Minascentro: até agora, sem balanço de obras. Foto: Ricardo Stuckert / PR

O governo de Minas Gerais não tem um balanço das obras do Novo PAC no estado. A informação foi confirmada a O Fator pela assessoria de imprensa do governo estadual.

Como mostramos, o Diário Oficial da União publicou em 21 de março a lista completa de mais de 14.800 obras do Novo PAC. Dessas, são 1.173 obras em Minas, incluídas as 43 que também abrangem outros estados.

Zema já falou grosso várias vezes sobre o Novo PAC. Em julho de 2023, circulou ter entregue ao governo federal lista de 13 obras prioritárias para o programa. No mês seguinte, a Agência Minas celebrou o acordo: “Governo de Minas consegue atendimento a demandas históricas para obras de infraestrutura”.

“As intervenções foram solicitadas diretamente pelo governador Romeu Zema e pelo vice-governador Professor Mateus em diferentes ocasiões”, dizia o texto.

Em fevereiro deste ano, quando Lula e Zema se encontraram no Minascentro, a agência estadual publicou: “Governador apresenta demandas ao presidente e abre diálogo para Minas seguir avançando”.

No entanto, o governo não mantém uma lista das obras, com orçamentos e prazos, para poder cobrar. A assessoria do governo disse a O Fator que “as obras do Novo PAC são de responsabilidade do Governo Federal e, nesses casos citados, envolvem interlocuções dos municípios contemplados com a União”.

Ou seja: Zema disse ter cobrado do governo Lula na hora de incluir as obras na lista, mas sua equipe não tem um cadastro para monitorá-las.

O Fator obteve cópia de ofício enviado por Zema a Lula, em dezembro de 2023, pedindo para agilizar três obras de “grande relevância hídrica” no Norte de Minas, mas isso não constitui um balanço administrativo das obras do Novo PAC no estado.

Um estudo de 2019 da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) encontrou quase 4.700 obras paradas do antigo PAC em todo o Brasil, equivalentes a R$ 65 bilhões já executados na época.

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