Juros correspondem a quase 60% da parcela de março da dívida de Minas com a União

Governo do estado é crítico ao modelo de correção do débito e, com direito a pedido de Zema a Haddad, pleiteia refinanciamento
Foto mostra a Cidade Administrativa, sede do governo de Minas
A Cidade Administrativa, sede do governo de Minas. Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG

Valores referentes a juros correspondem a 58,6% das cifras encaminhadas pelo governo de Minas Gerais à União na semana passada para arcar com a parcela de março do refinanciamento da dívida do estado junto ao governo federal. Dos R$ 472,1 milhões pagos pelo Palácio Tiradentes, pouco mais de R$ 277 milhões servem para corrigir o débito. Os outros R$ 195 milhões estão relacionados ao montante original do passivo.

O detalhamento dos valores enviados consta em documento que a Advocacia-Geral do Estado de Minas Gerais (AGE-MG) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) no último dia 7. A Corte foi a responsável por homologar, em agosto de 2024, um acordo entre o estado e a União pela retomada dos pagamentos e, desde então, monitora o cumprimento do trato.

A parcela de março foi encaminhada ao Tesouro Nacional na quarta-feira (6). Dos R$ 472,1 milhões, R$ 328,34 milhões foram diretamente transferidos aos cofres da União. O valor restante — R$ 143,77 milhões — chegou ao Executivo federal por meio do abatimento de compensações que Minas tem a receber por perdas na arrecadação do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em 2022. 

O uso dos créditos de ICMS já foi um expediente seguido pelo governo do estado nas parcelas de janeiro e fevereiro deste ano.

A incidência dos juros sobre o tamanho original da dívida vem sendo reiteradamente questionada pelo governador Romeu Zema (Novo). Nesta terça-feira (11), em evento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), ele voltou a tocar no assunto, citando o ministro Fernando Haddad, da Fazenda.

“Fomos o estado que mais contribuiu no Brasil com o saldo da balança comercial. O país, e nosso ministro (Fernando) Haddad deve saber de cor, teve saldo de US$ 74,5 bilhões na balança comercial. A contribuição de Minas foi de US$ 25 bilhões. Mais de um terço do saldo comercial foi gerado nesta terra, que, hoje, tem dificuldades para manter as estradas boas e o ensino adequado, devido — e espero que tenhamos uma correção — aos juros que pagamos de uma dívida bilionária, que já é de 30 anos, ao governo federal”, disse.

A título de exemplo, a primeira parcela enviada pelo governo de Minas à União após o acordo para a retomada dos pagamentos, em outubro passado, tinha quase 70% de juros. À ocasião, foram repassados R$ 286 milhões. Desse valor, R$ 197,8 milhões estavam ligados à correção.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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