STF homologa acordo entre Minas e União por retomada dos pagamentos da dívida

Governo do estado vai voltar a pagar as prestações do débito a partir de 1° de outubro; AGE e AGU apostam em ‘consenso mínimo’
Vista da fachada do STF
Entendimento do STF foi contrário às decisões proferidas pelos Tribunais de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e Superior Tribunal de Justiça (STJFoto: Divulgação/STF

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou, nesta quinta-feira (29), o acordo entre o governo de Minas Gerais e a União pela retomada, em outubro, dos pagamentos da dívida de R$ 165 bilhões contraída pelo estado junto ao Executivo federal. O consenso entre as partes foi informado à Corte nessa quarta-feira (28), mas o ministro, relator do julgamento envolvendo a questão fiscal mineira, ainda precisava dar aval aos termos da negociação.

Com a homologação do acordo, Minas Gerais vai ter a entrada no Regime de Recuperação Fiscal (RRF) autorizada. A adesão será retroativa, com data de 1° de agosto. Assim, as prestações do débito voltarão a ser pagas em 1° de outubro.

A solicitação de formalização do acordo foi feita pela Advocacia-Geral do Estado de Minas Gerais (AGE-MG) e pela Advocacia-Geral da União (AGU). O documento que aponta as regras da negociação leva as assinaturas do governador Romeu Zema (Novo) e do chefe da AGU, Jorge Messias.

O ingresso de Minas no RRF vai acontecer sem que a Assembleia precise aprovar, em 2° turno, a adesão do estado ao pacote de ajuste fiscal. Apesar disso, o governo Zema terá de seguir as contrapartidas previstas no arcabouço. 

Segundo AGE e AGU, os governos estadual e federal alcançaram o “consenso mínimo” a respeito dos rumos da dívida mineira. Ainda segundo as equipes jurídicas dos dois Executivos, há “convergência dos valores aproximados” que Minas Gerais terá de desembolsar.

Emissão de contratos e mesa de conciliação

Na prática, o acordo permite que a União possa expedir os contratos necessários para consolidar os valores devidos por Minas e permitir o início dos pagamentos.

Agora, o governo mineiro terá um semestre para implementar as medidas ligadas à execução do RRF. Haverá, ainda, uma mesa de conciliação para monitorar o cumprimento das contrapartidas do ajuste fiscal. A primeira reunião desse comitê deve acontecer em dezembro, no segundo mês após a retomada das prestações.

Principais pontos do acordo homologado:

  1. Minas Gerais vai retomar o pagamento das parcelas da dívida como se já estivesse no RRF.
  2. A União está autorizada a emitir os documentos necessários para formalizar a adesão do estado ao regime.
  3. Minas Gerais terá seis meses para implementar as medidas estruturantes pendentes e apresentar um cronograma de cumprimento dos requisitos do RRF.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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