A Meteoric, mineradora que pretende produzir terras raras no Sul de Minas Gerais nos próximos anos, anunciou na noite desta quarta-feira (30) que pretende vender 100% de suas ações para a australiana Lynas, maior produtora de óxidos de terras raras fora da China.
A aquisição ainda precisará ser aprovada pelos acionistas da empresa em assembleia marcada para janeiro de 2027 e poderá ser a primeira transação a ser analisada pelo Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), criado por lei sancionada neste mês pelo governo federal, mas ainda pendente de regulamentação.
A notícia é uma das maiores do ainda recente mercado de terras raras do Brasil e coloca o país ainda mais alinhado ao Ocidente na disputa por minerais críticos. Isso porque a história recente da Lynas remete a um acordo com investidores japoneses para que o país asiático se tornasse menos dependente do fornecimento da China.
Segundo comunicado enviado pela Meteoric ao mercado, se o negócio for concluído, cada acionista da receberá 0,0207 novas ações da Lynas para cada papel da Meteoric detido. Após a implementação do plano, os atuais acionistas da australiana deterão cerca de 94,1% do capital total, com os oriundos da Meteoric dividindo os cerca de 5,9% restantes.
Ainda de acordo com o comunicado, a relação de troca de 0,0207 ações da Lynas por ação da Meteoric implicaria um valor de transação de 968 milhões de dólares australianos (A$), o equivalente a R$ 3,5 bilhões. Ao todo, a troca concede um prêmio de 68,4% em relação ao último preço de fechamento da Meteoric, que foi de 0,17 dólares australianos.
Na quarta-feira, antes do anúncio da aquisição, as ações da Lynas eram comercializadas por 13,83 dólares australianos.
“Todos os diretores da Meteoric (que, em conjunto, detêm 2,6% das ações ordinárias em circulação da Meteoric) confirmaram sua intenção de votar a favor do Esquema, sujeita a essas mesmas ressalvas”, informa o comunicado.
Além deles, Tolga Kumova, o maior acionista da Meteoric (com 6,7% das ações), confirmou, segundo a empresa, sua intenção de votar a favor da aquisição, “caso não surja uma proposta superior e desde que um especialista independente conclua que a venda atende aos melhores interesses dos acionistas da Meteoric”.
A aprovação do CIMCE, por sua vez, só não será necessária, aponta a empresa, se for determinado, “em conformidade com os termos da transação acordados, que tal regime não se aplica à negociação”.
A proposta ainda prevê que a Lynas disponibilizará uma linha de financiamento provisório de até A$ 110 milhões para o desenvolvimento do projeto Caldeira, localizado em Caldas, no Sul de Minas.