Copasa: interessados precisarão ter histórico de R$ 6,3 bilhões em investimentos prévios

Documento exige que a experiência prévia do investidor de referência em obras de infraestrutura some, no mínimo, o valor citado
Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Copasa, vista de cima
Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Copasa em Almenara. Foto: divulgação/Copasa.

Candidatos ao posto de investidor de referência da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) precisarão comprovar investimentos anteriores de ao menos R$ 6,3 bilhões na área de infraestrutura. A chamada “Declaração de Histórico de Atuação” compõe o arcabouço documental da etapa prévia à privatização, divulgado nessa quinta-feira (23) pelo governo do estado, acionista majoritário da empresa.

O investimento citado precisa ter sido feito nos últimos 20 anos, tendo a data de 23 de abril de 2026 como referência. O regramento ainda exige que os R$ 6,3 bilhões estejam dentro de até cinco períodos anuais, consecutivos ou não. 

Para alcançar o valor, os interessados podem corrigir operações pretéritas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial.

Segundo o manual, o investimento em infraestrutura dentro do valor citado poderá ter sido feito diretamente pela controladora interessada ou por suas afiliadas. Caso o player conte com auxílio de outras empresas, deverá ser considerado o valor proporcional à participação direta ou indireta detida por ele naquela afiliada.

Entende-se como “investimento em empreendimentos de infraestrutura”, de acordo com o manual, operações realizadas nas áreas do saneamento básico, rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, mobilidade urbana e energia (geração, transmissão ou distribuição de energia elétrica, óleo e gás natural).

Distribuição acionária da nova Copasa

O modelo de privatização desenhado pelo Executivo estadual prevê, como caminho prioritário, a entrega de 30% dos 50,03% detidos pelo poder público ao já citado parceiro de referência. Outros 15% serão disponibilizados para disputa fracionada no mercado, com o Palácio Tiradentes mantendo 5%. 

No manual apresentado a potenciais interessados em participar do edital, o governo mineiro estabelece, como obrigação, a apresentação de carta de fiança de ao menos R$ 7 bilhões. O compromisso precisará ser emitido por um banco comercial de investimento autorizado a funcionar no Brasil, tendo, como favorecido, o governo de Minas, na condição de acionista vendedor.

Investidores interessados deverão se cadastrar junto à Bolsa de Valores de São Paulo, a B3. O período para a submissão dos documentos necessários para esse estágio começará nesta sexta-feira (24), às 9h, e terminará às 18h de 8 de maio. O cadastramento poderá ser individual ou na forma de consórcios. Apenas quem tiver a documentação aprovada pela B3 poderá, efetivamente, apresentar seus lances.

Favoritismo nacional

Como mostrou O Fator em 15 de abril, a disputa pela maior fatia acionária em jogo no processo de privatização da Copasa deve ficar entre grupos nacionais. A corrida deve ser polarizada entre a Aegea e a Sabesp, cuja controladora é a Equatorial. Segundo interlocutores, o Grupo Águas também sinalizou interesse, mas corre em raia distante.

Repórter de bastidores e orientado por dados de O Fator em Belo Horizonte, onde cobre política e mercado. Também é professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, onde leciona disciplina ligada ao jornalismo de dados. Trabalhou por sete anos no jornal Estado de Minas, onde foi repórter e coordenador de jornalismo de dados. Também trabalhou no caderno de política do jornal O TEMPO por dois anos. É master em Jornalismo de Dados, Automação e Data Storytelling pelo Insper.

Leia também:

Senado aprova indicação de Rodrigo Pacheco ao TCU

Após parecer contrário do MP Eleitoral, TRE marca sessão para julgar candidatura de Cunha em MG

Com bancada estadual esquecida, divisão do fundo eleitoral gera reclamações no União Brasil

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse