Venda de refinaria de lítio da CBL para indianos emperra e negócio deve ser cancelado

Banco da Índia responsável por análise não aprovou negociação de US$ 40 milhões
Foto mostra área de operação subterrânea da CBL, em Araxá.
Imagem mostra área de operação subterrânea da CBL, em Araxá. Foto: Divulgação/CBL

Anunciada em fevereiro deste ano, a venda da refinaria de lítio da Companhia Brasileira de Lítio (CBL) para um grupo indiano emperrou nas últimas semanas e está perto de ser cancelada, segundo apurou O Fator.

O negócio era avaliado pelas empresas do setor e principalmente pelo governo de Minas Gerais como estratégico para o Vale do Lítio, iniciativa do Executivo estadual para aumentar o investimento estrangeiro na mineração no Vale do Jequitinhonha.

Pelo acordo, um terço da refinaria da CBL, a única fora da Ásia a converter rocha dura de lítio em dois produtos químicos para a fabricação de baterias, seria vendida por US$ 40 milhões para a indiana Altmin, em operação que contava com apoio do governo do país asiático.

O dinheiro permitiria a expansão das atividades da CBL em Divisa Alegre, no Jequitinhonha. A planta, que atualmente produz 2 mil toneladas anuais de carbonato de lítio, passaria a produzir 6 mil toneladas até 2028.

Nas últimas semanas, no entanto, as cifras e a forma como a operação seria feita não foram aprovadas pelas autoridades governamentais da Índia, procedimento legal necessário para a conclusão da venda.

O Fator apurou que o banco público indiano responsável pela análise concluiu que um terço da refinaria custaria menos que o valor originalmente acordado entre as partes. A mudança no tamanho do montante teria ocorrido devido à divergências sobre o preço de mercado do carbonato de lítio.

O negócio

A venda era considerada pela CBL como fundamental nos planos de expansão da empresa. A companhia é hoje a terceira maior produtora de lítio com operações no Brasil (atrás de Sigma Lithium e AMG), mas é a única a avançar na cadeia do mineral no país.

Apesar de ceder tecnologia para os indianos, o negócio era bom para a CBL, porque garantiria a ela a venda à Altmin de 5 mil toneladas de carbonato de lítio grau bateria anuais a preço de mercado.

Agora, com o negócio prestes a ser cancelado, executivos da empresa já buscam outros parceiros para manter os planos de expansão.

A empresa, que é controlada pela família dos fundadores Salustiano Costa Silva e Aguinaldo Pires Couto, também tem planos de triplicar a produção de minério de lítio para 165 mil toneladas. O complexo minerário da empresa fica na cidade de Araçuaí.

Formado em jornalismo pela PUC Minas, Pedro Lovisi trabalhou nas redações do jornal Estado de Minas e da Rádio Itatiaia. Nos últimos cinco anos, foi repórter da Folha de S.Paulo, onde se destacou pela cobertura econômica de setores ligados à transição energética, principalmente energia e mineração. Também é mestre em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais pela PUC SP, onde estudou instrumentos orçamentários para cidades mineradoras de Minas Gerais.

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