Governo Zema recusou proposta dos EUA por acordo de mineração semelhante ao assinado por Caiado

Técnicos da Secretaria de Desenvolvimento Econômico apontaram inconsistências no documento, que tratava de dados geológicos
Zema visita a planta da Meteoric
Governo Zema detectou pontos de insegurança em acordo desejado pelos EUA. Foto: Dirceu Aurélio/Imprensa MG

O governo de Minas Gerais, ainda sob a gestão de Romeu Zema (Novo), negou uma proposta do governo dos Estados Unidos para assinar um acordo de mineração semelhante ao que o então governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), celebrou em março deste ano.

O Fator apurou que autoridades americanas planejavam assinar um acordo com MG na semana em que assinaram com o governador de Goiás. 

A recusa do governo Zema, no entanto, veio em cima da hora. A decisão foi pautada por um parecer técnico da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede).

Caiado e o encarregado de negócios dos EUA no Brasil assinaram o acordo em 18 de março. O texto, bastante criticado pelo governo federal e por executivos de mineradoras brasileiras, prevê exclusividade e sigilo dos dados geológicos de Goiás para os EUA.

Naquele dia, autoridades do governo americano participaram de um evento sobre minerais críticos em São Paulo, organizado pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil e pelo Citibank. 

Um dia antes, com os americanos já no Brasil, Zema visitou as instalações da mineradora Meteoric em Poços de Caldas, no Sul de Minas. A empresa planeja extrair e processar terras raras na região.

O Fator procurou a assessoria da pré-campanha presidencial de Zema e a Sede para obter posicionamentos a respeito do tema. Não houve resposta até o fechamento desta apuração, mas o espaço permanece aberto.

Formado em jornalismo pela PUC Minas, Pedro Lovisi trabalhou nas redações do jornal Estado de Minas e da Rádio Itatiaia. Nos últimos cinco anos, foi repórter da Folha de S.Paulo, onde se destacou pela cobertura econômica de setores ligados à transição energética, principalmente energia e mineração. Também é mestre em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais pela PUC SP, onde estudou instrumentos orçamentários para cidades mineradoras de Minas Gerais.

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