Mineiros entram em campo contra mudança na carga tributária das SAFs

Clubes e deputado do estado querem aprovação de destaque que mantém alíquota de impostos em 5%
Dudu, do Atlético, e Romero, do Cruzeiro
Rivais em campo, Atlético e Cruzeiro estão lado a lado em debate sobre carga tributária das SAFs. Foto: Pedro Souza/Atlético

A tramitação, no Congresso Nacional, do segundo projeto sobre a regulamentação da reforma tributária, deflagrou uma disputa entre clubes e setores do Legislativo a respeito da carga tributária incidente sobre as Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs). As equipes tentam viabilizar a aprovação de um destaque que mantém em 5% a alíquota de imposto cobrada das equipes. O trecho será votado nesta terça-feira (16). na Câmara dos Deputados.

América, Atlético e Cruzeiro, que são SAFs, divulgaram nota defendendo a aprovação do destaque. Quem também participa das articulações é o deputado federal Sérgio Santos Rodrigues (Podemos-MG), que presidia a Raposa à época da mudança da personalidade jurídica do clube.

A nota dos clubes, também compartilhada por equipes como o Vasco da Gama, o Fortaleza e o Coritiba, diz que a aprovação do destaque serve para garantir “tributação justa para estruturar e fortalecer o futebol nacional”.

A manutenção da alíquota em 5% foi aprovada no Senado Federal, mas durante a tramitação da segunda parte da regulamentação da reforma na Câmara, o relator, Mauro Benevides Filho (PDT-CE), defendeu a elevação do índice para 8,5%. 

Em texto encaminhado aos colegas de plenário, Sérgio Rodrigues diz que o aumento da alíquota pode afugentar novos investidores interessados nos clubes brasileiros, bem como prejudicar o potencial de arrecadação das equipes, que passariam a ter mais ganhos comprometidos com os compromissos tributários.

Liga de clubes também defende destaque

A Liga Forte União (LFU), um dos dois blocos formados por clubes brasileiros para a negociação de ativos como os direitos televisivos, também defende a manutenção da alíquota em 5%. 

A associação, que conta com a participação do Cruzeiro e em outubro recebeu manifestação de interesse de adesão do Atlético, assinou nota conjunta sobre o tema com o Instituto Brasileiro de Estudos e Desenvolvimento da Sociedade Anônima do Futebol (Ibesaf) e o Instituto de Aplicação do Tributo (IAT).

“O aumento da alíquota em aproximadamente 120%, consequência do eventual não acolhimento da Emenda 525, reverterá o cenário alvissareiro e induzirá a manutenção de modelos que geraram – e geram – passivos bilionários (invariavelmente assumidos pela sociedade e pelo contribuinte). Chegou o momento de a sociedade civil e a classe política, incluindo o Congresso Nacional e o Governo, se unirem para que o futebol se torne uma atividade que contribua para o desenvolvimento social e econômico da Nação. E que cumpra seu papel de poderoso instrumento de softpower, em benefício da coletividade”, defendem as entidades.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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