O Republicanos avançou para oficializar o senador Cleitinho Azevedo como candidato ao governo de Minas Gerais. O Fator apurou que o encaminhamento foi amadurecido entre lideranças da sigla ao longo desse sábado (1°). Embora correligionários deem como certa a participação do parlamentar na corrida ao Palácio Tiradentes, a cúpula do partido adota prudência e diz que a questão só será definitivamente solucionada nesta segunda-feira (3), em nova reunião.
Nesse encontro, Cleitinho conversará com o presidente nacional do Republicanos, o deputado federal Marcos Pereira (SP). Na quinta-feira (30), eles estiveram juntos por mais de cinco horas no interior paulista, mas não chegaram a um meio termo. A nova agenda prevista para esse sábado foi cancelada e os debates aconteceram informalmente.
Ainda conforme apuração da reportagem, o ex-secretário de Estado Marcelo Aro (PP), que vinha sendo tratado como alternativa para ter o apoio do Republicanos na disputa pelo Executivo, já recebeu a sinalização de que, neste momento, a legenda voltou a trabalhar com mais força com a hipótese envolvendo Cleitinho.
A favor do senador, está o presidente do diretório mineiro do Republicanos, o deputado federal Euclydes Pettersen. Embora seja um dos signatários da nota em que, na semana passada, a legenda descartava uma candidatura do senador, o dirigente mudou rapidamente de entendimento e passou a tentar convencer Pereira a reavaliar o tema.
Desenho da chapa é entrave
Cleitinho tem dito que não abre mão de ter Luís Eduardo Falcão, ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM) e também componente do Republicanos, como candidato a vice-governador.
Embora a condição seja inegociável para o parlamentar, colegas de partido defendem que a questão seja levada a legendas aliadas, como o PL. A avaliação é de que a divisão dos espaços em uma eventual chapa precisa ser totalmente pacificada previamente.
Nikolas e Flávio são trunfos
Como O Fator mostrou, lideranças liberais entraram em campo para demover o Republicanos da decisão de retirar Cleitinho do páreo. O deputado federal Nikolas Ferreira (MG) e o senador Flávio Bolsonaro (RJ), que vai disputar a Presidência da República, são expoentes do grupo que participou do movimento.
A preocupação tem como pano de fundo principal garantir, no estado, um palanque competitivo e com chances de vitória para Flávio. Ao mesmo tempo em que tenta advogar por Cleitinho, esse grupo do PL busca assegurar que, mesmo sem Aro encabeçando a chapa, a federação formada por União Brasil e PP esteja na aliança.
Da nota à entrevista coletiva
O ofício do Republicanos descartando Cleitinho foi redigido na manhã de quarta-feira (29). Na noite anterior, Pereira participou por telefone de uma reunião em que caciques de União, PP e PL chegaram a encaminhar uma candidatura de Aro em um cenário sem o senador na corrida eleitoral.
No comunicado, o Republicanos responsabilizava Cleitinho pelo imbróglio. O texto dizia que “uma candidatura exige, antes de tudo, a decisão firme de quem pretende disputá-la” e que “tal decisão nunca aconteceu”.
Horas depois, Cleitinho convocou uma entrevista coletiva em praça pública na cidade de Divinópolis, no Centro-Oeste do estado. Diante dos microfones, assegurou ter a intenção de concorrer ao governo e afirmou que tentaria “tocar o coração” de Marcos Pereira para conseguir viabilizar a candidatura.