Um dos alvos da terceira fase da Operação Rent a Car, que teve entre os investigados o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, foi o advogado mineiro Thiago Ferreira de Paula. Deflagrada na terça-feira (2), a ação não representa a primeira vez que ele entra na mira da Polícia Federal (PF).
Dono de um escritório de advocacia em Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, Thiago já havia cruzado o caminho da PF em 2007, durante a Operação Zebu, voltada ao combate de crimes fiscais em frigoríficos na região.
Na época, ele foi autuado em flagrante com uma arma de fogo. O pai dele, também advogado e proprietário de um escritório de contabilidade, era alvo da operação deflagrada pela PF, Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e Receita Federal.
Agora, Thiago foi apontado como comprador de um imóvel de Sóstenes Cavalcante, negociado por R$ 500 mil e pago em espécie, segundo escritura lavrada apenas em 30 de dezembro do ano passado.
Um dos pontos destacados pelos investigadores é que a escritura foi registrada quase um mês depois de a PF ter apreendido R$ 468,7 mil em dinheiro vivo no guarda-roupa da casa do parlamentar, em dezembro de 2025.
Ainda segundo a investigação, um dos fatos que chamou a atenção foi a proximidade entre o escritório de advocacia de Thiago e o imóvel do deputado adquirido por ele. Os dois endereços ficam a cerca de 500 metros de distância.
Relatórios de inteligência financeira também indicam que a movimentação bancária do advogado chega a ser 17,76 vezes superior à renda declarada por ele.A mulher de Thiago também aparece na investigação.
De acordo com a apuração, ela teria repassado R$ 90 mil ao advogado, apesar de constar em bases oficiais com renda inferior a dois salários mínimos e histórico de cadastro em programas sociais.
O advogado teve a residência alvo de busca e apreensão, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal. O pedido para incluir o escritório de advocacia nas buscas foi negado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Ele entendeu que ainda não há elementos suficientes para indicar que a sociedade de advogados tenha sido utilizada nas movimentações financeiras consideradas suspeitas. O processo tramita sob sigilo e o parlamentar nega irregularidades.