O ‘improviso’ de Silveira para rebater Zema em agenda com Lula

Ministro de Minas e Energia e governador discordaram publicamente sobre motivos do problema fiscal do estado
Alexandre Silveira e Lula posam para foto
Alexandre Silveira e Lula posam para foto em Betim. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O discurso do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD-MG), em defesa da postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ante as dívidas dos estados, nesta terça-feira (11), em Betim, não estava previsto. Silveira falaria apenas de temas ligados à inauguração da planta produtiva da Stellantis, empresa anfitriã do evento. Uma fala do governador Romeu Zema (Novo) a respeito da situação fiscal de Minas Gerais, entretanto, mudou os planos do ministro.

Segundo interlocutores ouvidos por O Fator, Silveira tomou a decisão de tratar do assunto para defender Lula. Minutos antes, Zema havia criticado os juros que incidem sobre o débito de Minas junto à União.

“O senhor (Lula) aprovou (o Propag), fazendo justiça com Minas Gerais e dando condições ao estado de se restabelecer, tratando Minas como Minas sempre tratou o senhor: dando a vitória (no estado) em todas as eleições que o senhor disputou”, afirmou.

Antes da fala do chefe da pasta de Minas e Energia, Zema chegou a mencionar o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), para protestar contra a taxa que corrige os saldos devedores. Segundo ele, os juros atrasam o desenvolvimento do estado.

“Mais de um terço do saldo comercial (do Brasil em 2024) foi gerado nesta terra, que, hoje, tem dificuldades para manter as estradas boas e o ensino adequado, devido — e espero que tenhamos uma correção — aos juros que pagamos de uma dívida bilionária, que já é de 30 anos, ao governo federal”, assinalou.

Não foi a primeira vez que Silveira aproveitou um evento com Lula para mandar recados a Zema. Em junho do ano passado, durante a apresentação de políticas públicas do governo federal para o estado, em Belo Horizonte, o ministro pregou “respeito” ao funcionalismo público e afirmou que, até o início do governo petista, Minas Gerais ficou “carente” de articulação política.

A menção ao funcionalismo, à época, estava relacionada à sanção de um reajuste de 4,62% aos servidores, índice considerado insuficiente por representantes sindicais.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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