Aliados do prefeito Álvaro Damião (União Brasil) na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) ficaram incomodados com a decisão do PT de entrar na Justiça reivindicando o mandato do vereador Wagner Ferreira, da Rede Sustentabilidade. Eleito pelo PV em 2024, o parlamentar migrou para a Rede na janela partidária deste ano. Pelas regras da Justiça Eleitoral, apenas deputados poderiam aproveitar o período para mudar de sigla.
Sob reservas, vereadores ouvidos por O Fator afirmaram que o PT quer tirar um aliado do prefeito na Câmara e ampliar o número de parlamentares de oposição. Integrantes da base de Damião também protestam contra o fato de petistas ocuparem cargos na administração municipal.
PT, PV e PCdoB formam uma federação partidária e, por isso, apresentaram uma chapa conjunta na eleição de 2024. A primeira suplente do grupo é a subsecretária de Assistência Social e Direitos Humanos de Belo Horizonte, Luana de Souza (PT). Em conversa com O Fator em março, Luana antecipou que avaliava acionar a Justiça pelo mandato de Wagner.
Pré-candidato a deputado estadual pela Rede, o vereador ingressou em 2025 na “Família Aro”, grupo liderado pelo ex-secretário de Estado de Governo Marcelo Aro (PP), e tem boa relação com o núcleo político da prefeitura. Antes de deixar o PV, Wagner firmou um acordo com a direção estadual do partido, que concordou com a saída.
Jurisprudência
Procurado pela reportagem, o presidente municipal do PT, Guilherme Jardim, o Guima, afirmou que a decisão de acionar a Justiça não tem qualquer relação com a gestão liderada por Damião. O petista disse que a liberação conseguida por Wagner junto ao PV não tem valor jurídico.
“Estamos apenas requerendo o que é nosso por direito. Os candidatos do PV não tiveram votos suficientes para ocupar uma cadeira na Câmara. O mandato pertence à federação, e o parlamentar mudou de partido sabendo disso”, justificou.