A estratégia de deputados do PL para driblar a candidatura de Flávio Roscoe e caminhar com Cleitinho Azevedo (Republicanos) ao governo de Minas Gerais sem romper formalmente com o partido já entrou no radar da direção da legenda. O que antes era tratado nos bastidores como uma espécie de “infidelidade silenciosa” agora pode virar alvo de cobrança e acompanhamento interno.
Segundo apurou O Fator, parlamentares que decidirem não participar da campanha de Roscoe ou se aproximarem de Cleitinho serão observados ao longo da disputa. Quem se ausentar recorrentemente de atos de campanha do presidente licenciado da federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) ou passar a atuar em favor de outro candidato deve ser chamado a dar explicações.
A avaliação interna é que não basta manter o apoio a Roscoe apenas no papel. A expectativa é que a bancada ajude a construir o palanque do presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e participe efetivamente da campanha.
Em casos mais explícitos, a discussão pode sair do campo da cobrança política e chegar à esfera partidária. Integrantes do PL admitem que episódios de infidelidade poderão ser analisados individualmente e, dependendo da conduta do parlamentar, até resultar em processos internos.
A ofensiva também deve alcançar a campanha presidencial. O apoio do PL a Flávio Bolsonaro em Minas tende a ser tratado em conjunto com a postura da bancada na disputa pelo governo estadual. Segundo interlocutores da sigla, não seria aceitável um deputado recorrer ao palanque e à estrutura de Flávio Bolsonaro enquanto, em Minas, trabalha para enfraquecer o candidato escolhido pelo próprio partido.
Na prática, a equação defendida pela legenda é direta: quem quiser caminhar com Flávio Bolsonaro terá de caminhar também com Flávio Roscoe.
A preocupação ganhou força justamente porque, como O Fator mostrou, parte da bancada mantém uma relação mais próxima com Cleitinho e vinha discutindo uma forma de preservar esse vínculo sem comprar uma briga direta com o PL. A saída seria respeitar formalmente a candidatura de Roscoe, mas evitar uma participação efetiva em sua campanha, ficando de fora de agendas, fotos, eventos e manifestações públicas de apoio.